galhos raízes

galhos raízes

domingo, 5 de dezembro de 2010

Poesia e música na sala de aula

            A poesia hoje está um pouco esquecida nas salas de aula. Se o educador não englobar este gênero literário nas suas práticas pedagógicas, dificilmente, seu aluno irá ler e gostar da poesia, ainda mais que muitos de nossos alunos só leem na escola. É necessário familiarizar os pequenos com a poesia e criar forma lúdicas para serem aceitas pelos mesmos. Sendo trabalhada ludicamente e planejada com imagens, sons e narrativas faz com que o aluno goste, despertando a curiosidade, a imaginação e o conhecimento. Não podemos esquecer que para cada faixa etária há um tipo de poesia. Para os pequenos podem ser trabalhadas as canções, os fantoches, as rimas infantis como "O sapo não lava o pé", "Aquarela" de Toquinho, "A casa" de Vinicius de Morais e também "As borboletas"; de Vinicius de Morais, "O menino azul" de Cecília de Meireles, "Jeca Tatuzinho" de Monteiro Lobato, entre outros tantos.
Por meio das narrativas, das linguagens visuais, do colorido, das imagens e dos sons a criança sente sensações e o interesse aflora.
Portanto, há diferentes maneiras de serem trabalhas as poesias na Educação Infantil, cabe ao professor adequá-las aos seus alunos.

Abaixo, está em anexo um vídeo do Youtube "A casa", de Vinicius de Morais:

Fonte de pesquisa:


 

sábado, 4 de dezembro de 2010

Poesia na sala de aula

   
           Sabemos que as poesias englobam não apenas a nossa interpretação mas como também um pouco de conhecimento de mundo que temos para que assim, possamos interpretá-las de modo correto. Aos que desconhecem algo que a poesia tenta transmitir, este leitor logo toma conhecimento do que está sendo exposto pelo autor. A poesia então a é imaginação e aprendizagem.


Como exemplo do que foi exposto no parágrafo anterior, coloco excerto do poema “Balada do amor através das idades”, de Carlos Drummond de Andrade (Cinco Estrelas, 2001, p. 26).

“Eu te gosto, você me gosta
desde tempos imemoriais.
Eu era grego, você troiana
Troiana mas não Helena.
Saí do cavalo de pau
Para matar seu irmão.
Matei, brigamos, morremos".

Att, Danielli.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entender a razão,
Esse comboio de corda
que se chama o coração.

                                        (  Fernando Pessoa)

De portas abertas

http://www.videosurf.com/video/years-of-solitude-a-os-de-soledad-68738453

"Years of solitude" tem uma sonoridade que me convida a visitar um saudoso passado não vivido, construído com o aroma do frio, com a cor de amores antigos, em uma história presa nas dobradiças do tempo. É como entrar no mundo mágico da memória, guardados nos livros e fotos que ainda não vi.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Rio na Sombra

 Som
 frio.

 Rio
 Sombrio.

 O longo som
 do rio
 frio.
 bom
 do longo rio.

 Tão longe
 tão bom,
 tão frio
 o claro som
 do rio
 sombrio! 

                 ( Cecília Meireles)
Eni Araujo

Brincando com as palavras 2

SEXA
Luís Fernando Veríssimo
- Pai........
- Hummmmm?
- Como é o feminino de sexo?
- O quê?
- O feminino de sexo.
- Não tem.
- Sexo não tem feminino?
- Não.
- Só tem sexo masculino?
- É.Quer dizer,não.Existem dois sexos.Masculino e Feminino.
- E como é o feminino de sexo?
- Não tem feminino.Sexo é sempre masculino.
- Mas tu mesmo disse que tem sexo masculino e feminino.
- O sexo pode ser masculino ou feminino.A palavra "SEXO" é masculina.O SEXO masculino,o SEXO feminino.
- Não devia ser "A SEXA"?
- Não.
- Por que não?
- Porque não!Desculpe.Porque não."SEXO" é sempre masculino.
- O sexo da mulher é masculino?
- É.Não!O sexo da mulher é feminino.
- E como é o feminino?
- Sexo mesmo.Igual ao do homem.
- O sexo da mulher é igual ao do homem?
- É.Quer dizer...Olha aqui.Tem o SEXO masculino e o SEXO feminino,certo?
- Certo.
- São duas coisas diferentes.
- Então como é o feminino de sexo?
- É igual ao masculino.
- Mas não são diferentes?
- Não.Ou,são!Mas a palavra é a mesma.Muda o sexo,mas não muda a palavra.
- Mas então não muda o sexo.É sempre masculino.
- A palavra é masculina .
- Não." A palavra" é feminino.Se fosse masculino seria "o pal..."
- Chega!Vai brincar ,vai.
O garoto sai e a mãe entra.O pai comenta:
-Temos que ficar de olho nesse guri...
- Por quê?
Ele só pensa em gramática.
                               (Do Livro:Comédias para se Ler na Escola)

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Os noivos subiram na igreja.

Um famoso colunista social de um jornal escreveu o seguinte em sua coluna. Por que os noivos, num momento tão importante de suas vidas, teriam corrido o sério perigo de subir na igreja? A bem da verdade, a leitura da matéria esclareceu que eles apenas subiram no altar da igreja. Mas o padre teria deixado subir no altar? O certo é que nem isso correspondeu à verdade, pois não foram além das proximidades do altar.Sugestão para o famoso colunista social: Os noivos foram ao altar. Assim não há perigos nem desinformações.

Eni Araujo

Línguas Neolatinas

São línguas que têm sua origem no Latim. O latim era falado inicialmente no Lácio, região da Península Itálica. Tornou-se depois a lóngua dominante da Península e, com a expansão do Império Romano, foi levada para as regiões conquistadas, onde foi adotada como língua própria pelas populações vencidas.Mas é claro que cada uma dessas populações trouxe para nova língua, o latim, as marcas da língua que abandonara, para usar a do vencedor. É claro também que essas marcas eram diferentes para cada povo, de acordo com sua língua anterior. Mais tarde, com a invasão dos bárbaros e com a queda do Império Romano, as diversas modalidades regionais do latim se foram diferenciando cada vez mais, e ele acabou por transformar-se em diversas línguas - as línguas neolatinas - ou românicas; as principais são: o português, o espanhol, o frânces, o italiano, o catalão, o romeno, o galego.

Texto extraído do livro didático do 9° ano:

SOARES, Magda. Uma proposta para o letramento. Ed. Moderna. São Paulo: 2002.

Abraços, Danielli.
 ....O boizinho da cidade ou cola fina para os gaúchos segue em frente, pensando estar na direção certa.Passa uma, passa duas, passa três porteiras e nada da tal associação e o que é  pior a gasolina do carro termina e o pobre fica bem abichornado e resolve até sentar perto de umas macegas mas, nisso aparece um gaúcho pilchado a capricho pacholento com ar de quem sabe tudo de campanha. O rapaz cria alma nova quando o avista e diz moço preciso de ajuda. Como posso sair daqui? Parece que tu , tá meio atoa aqui não tem auto de praça o que eu posso fazer é consegui  um pingo meio lerdo pois tu é um baita maturrengo, que tu acha ? disse o gaúcho.O moço atordoado com tanta coisa que não entende, repete quero sair daqui, preciso voltar para a civilização.
O gaúcho com voz mansa diz: calma mosito, o senhor esta muito mariado, posso campiar uma carona com o pessoal que tão lá em casa pois, hoje é domingo dia de grande mosquedo. Ok, vamos lá diz o moço sem muita escolha.Passo adiante      

                         
JANE MAIRA .

domingo, 28 de novembro de 2010

Os Sapos

Enfunando os papos,
Saem da penumbra,
Aos pulos, os sapos.
A luz os deslumbra.

Em ronco que aterra,
Berra o sapo-boi:
- "Meu pai foi à guerra!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

O sapo-tanoeiro,
Parnasiano aguado,
Diz: - "Meu cancioneiro
É bem martelado.

Vede como primo
Em comer os hiatos!
Que arte! E nunca rimo
Os termos cognatos.

O meu verso é bom
Frumento sem joio.
Faço rimas com
Consoantes de apoio.

Vai por cinquüenta anos
Que lhes dei a norma:
Reduzi sem danos
A fôrmas a forma.

Clame a saparia
Em críticas céticas:
Não há mais poesia,
Mas há artes poéticas..."

Urra o sapo-boi:
- "Meu pai foi rei!"- "Foi!"
- "Não foi!" - "Foi!" - "Não foi!".

Brada em um assomo
O sapo-tanoeiro:
- A grande arte é como
Lavor de joalheiro.

Ou bem de estatuário.
Tudo quanto é belo,
Tudo quanto é vário,
Canta no martelo".

Outros, sapos-pipas
(Um mal em si cabe),
Falam pelas tripas,
- "Sei!" - "Não sabe!" - "Sabe!".

Longe dessa grita,
Lá onde mais densa
A noite infinita
Veste a sombra imensa;

Lá, fugido ao mundo,
Sem glória, sem fé,
No perau profundo
E solitário, é

Que soluças tu,
Transido de frio,
Sapo-cururu
Da beira do rio...

 Eni Araujo
é mesmo a guachada  de fato estavam todos numa grande festa, onde envolvia ginetiada e carreiradas, bastante trago e ovelho tradicional pastel de carreira,e comonão deixar de faltar o jogo da tava, onde a guachada faziam suas apostas, e em outro canto da festa na beira de uma cancha reta outros apostavam nas pastas de um velho quarto de milha que jamais em outras carreiradas havia perdido pois então no tal momento da vitória do quarto de milha se aproxima o boizinho da cidade a procura da tal associação, conversando com a guachada chega um outro gauchão mais largado e diz ao moço da cidade o rapazinho o senhor deve estar mesmo á a procura do assentamento dos sem terra, não é muito longe daqui o senhor volta até a porteira da entrada e vira para sua direita e assim o fez indo na direção no qual o gaucho lhe explicará, novamente encontra o gaucho que alguns momentos atrás havia lhe pedido informação, pensou vou seguir pelo caminho que o outro gaucho me ensinou, pois este gaucho cheio canha na guampa está mais para pedir informação do que dar  

Eni Araujo ( passo a prosa adiante)

Que tal Vinicius de Morais?

Marcus Vinicius de Moraes nasceu em 1913 no Bairro da Gávea, no Rio de Janeiro. Foi um diplomata, dramaturgo, jornalista, poeta e compositor brasileiro.



"Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"

Abraços, Danielli.

sábado, 27 de novembro de 2010

Brincando com as palavras


POEMINHO DO CONTRA
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Mario Quintana

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Brincar de contar causo

Se aprochegue vivente, que eu vou começar um causo que se passou lá pras banda do Upamaroti...
Diz então que era Festa de Santo Domingo
O gaúcho, bagual que nem ele, colocou os arreio no mouro e foi pra festa, todo pilchado, com as vestimenta de ir pro povo, guaiaca cheia com os troco do soldo pra gastar.
Passando no bulicho do Susa, já deu uma apeada pra uma charla e umas canha, pra já chega meio pronto pros festejo e não fazer feio pras moça que ia encontrar no festerê.
Mas resulta que o moço não era muito chegado nos assunto de canha, e acabou tomando uma borracheira daquelas de fazer dó em cusco manco, e mesmo assim, se tocou pras "Três Venda", que ficava depois do paço, um bom par de hora no lombo do cavalo. E pra não chegar enjoado, o gaúcho pendurou na conta umas boteja de canha, pra ir tomando no caminho e não perder a animação.
Vai daí que o caminho já não era mais como antes, agora era uma de motocicleta, caminhão e até carro passeio passando pra lá e pra cá, diz que pra carregar cigarro contrabandeado lá das banda da linha.
E foi numa dessas curva que ia o gaúcho tranquilito, despacito no mouro, cantarolando as melodias de um tal de Adair de Freitas:
Lá na volta da estrada/Onde o dia renasce/Pintando o horizonte/Que o sol desenhou/Eu me vejo sumindo/E depois ressurgindo/Feliz por ter sido/E por ter a certeza/De ser amanhã/Como hoje ainda sou

Um gaúcho consciente/Da linha de frente/Se a liberdade/Estiver em perigo/Sou feliz, vivo em paz/Pois sou cada vez mais/Parecido comigo/Sou feliz, vivo em paz/Pois sou cada vez mais/Parecido comigo

(Eu sei bem pra onde vou/Porque sei d'onde vim/Pelos rumos que fiz/Eu não quero mudar/E nem devo mudar/Se, afinal, sou feliz)

Bueno, a cantoria e de tal maneira que o peão não viu quando passou um daqueles camburão preto, que mais parecia um chopim vira-bosta, e parando na estrada, esperava pelo cavaleiro, que ia no seu tranquito, solito e borracho, fazendo força pra não cair.

"- Bom dia, meu amigo, uma informação?"

E o cavaleiro passa adelante, como se não fosse com ele, fazendo pouco caso...

"- Meu senhor, preciso de uma informação, pode ser ou tá difícil, meu véio?"

A voz que saia de dentro do carro parecia de outro mundo, o moço era todo chiado e penteado, cheirando a perfume e frescura. O gaúcho, desconfiado, estacou no meio da estrada mas não apeou de saída.

- Seu, pode me informar onde fica a Associação dos Comerciários? Se é que tem Associação dos Comerciários aqui nesta Vila...

O gaúcho, no trago e se equilibrando em cima do cavalo para não se ir ao chão diz:

- Fica lá pros lado do bulicho da Dona Maria. Tu dobra pra isquerda e vai encontra uma casa véia. É lá.

E não deu muita trela pro moço que até era educado...

- Valeu cidadão pela informação.

O gaúcho pensa:

- Mas que home más do esquisito...

O gaúcho segue a cavalo na estrada de chão batido de poeira avermelhada....

(Segue adiante quem imagina o diálogo dos dois)

(sigo daqui Dani...)


Enquanto isso, no interior da Tucson, o playboy, um tanto arrependido de ter aceito o desafio feito pelo pessoal da seguradora – angariar sócios em um lugar bem remoto, no fim de uma estrada, no caso, a BR158, que termina em Santana do Livramento.
Cofiando os virtuais bigodes - pois ainda não os pudera cultivar, já que bigodes só combinam com casa, família e corolla sedan, e ele ainda não tinha dado esse passo rumo a eminente maturidade - ele refletia sobre duas questões existenciais fundamentais:
- onde é que eu estava com a cabeça quando resolvi atalhar pela estrada vicinal para ir até a cidade mais próxima e fui me meter nesse buraco...
- onde raios haverá uma pista de boliche nesse fim de mundo... Não deve ter movimento; será que eles chamam o jogo de bocha de boliche???
Atualizando os dados no seu GPS e reconectando o i-Pod no auto-falante e começou a pesquisar no smartphone para que lado fica esse povoado que tem até uma casa de boliche...certamente lá deverá ter sinal para celular, e ele então pedir uma ajuda mais fidedigna, para algum centro de relacionamento. Arrancou, levantando poeira e espantando uma família de tarrã que descansava na cerca, à beira da estrada.

Manso e quieto, o gaúcho seguiu seu caminho. Mas não pode deixar de pensar na pergunta do moço da cidade... Ele perguntou onde ficava a associação do que mesmo? Ah, deve ser a associação dos colonos, os “sem-terra” do loteamento que fica lá pras bandas do finado Manuel Dias. É, devia ser. Lá na subprefeitura não deve ter ninguém, deve estar todo mundo na Festa.

(passo a bola...myrtita)

é mesmo a guachada  de fato estavam todos numa grande festa, onde envolvia ginetiada e carreiradas, bastante trago e ovelho tradicional pastel de carreira,e comonão deixar de faltar o jogo da tava, onde a guachada faziam suas apostas, e em outro canto da festa na beira de uma cancha reta outros apostavam nas pastas de um velho quarto de milha que jamais em outras carreiradas havia perdido pois então no tal momento da vitória do quarto de milha se aproxima o boizinho da cidade a procura da tal associação, conversando com a guachada chega um outro gauchão mais largado e diz ao moço da cidade o rapazinho o senhor deve estar mesmo á a procura do assentamento dos sem terra, não é muito longe daqui o senhor volta até a porteira da entrada e vira para sua direita e assim o fez indo na direção no qual o gaucho lhe explicará, novamente encontra o gaucho que alguns momentos atrás havia lhe pedido informação, pensou vou seguir pelo caminho que o outro gaucho me ensinou, pois este gaucho cheio canha na guampa está mais para pedir informação do que dar

Eni Araujo ( passo a prosa adiante)


 ....O boizinho da cidade ou cola fina para os gaúchos segue em frente, pensando estar na direção certa.Passa uma, passa duas, passa três porteiras e nada da tal associação e o que é  pior a gasolina do carro termina e o pobre fica bem abichornado e resolve até sentar perto de umas macegas mas, nisso aparece um gaúcho pilchado a capricho pacholento com ar de quem sabe tudo de campanha. O rapaz cria alma nova quando o avista e diz moço preciso de ajuda. Como posso sair daqui? Parece que tu , tá meio atoa aqui não tem auto de praça o que eu posso fazer é consegui  um pingo meio lerdo pois tu é um baita maturrengo, que tu acha ? disse o gaúcho.O moço atordoado com tanta coisa que não entende, repete quero sair daqui, preciso voltar para a civilização.
O gaúcho com voz mansa diz: calma mosito, o senhor esta muito mariado, posso campiar uma carona com o pessoal que tão lá em casa pois, hoje é domingo dia de grande mosquedo. Ok, vamos lá diz o moço sem muita escolha.Passo adiante      

                         
JANE MAIRA .


Mas na verdade, entre seus botões, o cara não estava entendendo nada. E dizia para si: "Esse povo é todo louco...como é que o cara sabe que eu moro perto do mar, apesar que faz horas que não vou pegar uma praia...será que o cara sentiu cheiro de mar? Ou será que 'mariado' quer dizer perdido?"
- Sabe o que é senhor? eu só quero chegar até a vila, onde vocês tem uma associação comercial ou coisa que o valha. Preciso tentar um contato com algum líder local, para convidar os moradores das redondezas para oferecer um...
- Calma, seu moço, calma, toma uns gol de mate, não se ressabeie, que temos tempo pra conversar com acalma. Assim  que antes de me encontrar, cruzou pelo Bilica, peão lá estância do seu Honório Dias. Mas e o homi tava borracho? Mas não sabia que ele era disso. O pai dele sim, era um pau-dágua....pobre da véia Cema...
- Não sei se ele é borracheiro...não tinha cara, tinha mais jeito de trabalhador do campo mesmo. Ele tava fedendo a cachaça, devia estar muito bêbado, quase não se aguentava em cima do cavalo. Vai ver nem o dois conseguis fazer, que dirá o quatro.
O gaúcho, já meio sem entender o palavreado do rapaz da cidade, tentou continuar a conversa pra não parecer meio burro, e foi logo emendando "- Ah, sim, o Bilica nunca conseguiu aprender a ler nem o nome...conhece os número só quando ta camperiando, contando o gado no pasto.
O tal ricardinho, se sentindo já meio enjoado com o calor e aquela história, já estava quase pedindo pra sair...

Foi nessas aí que eu vi o carro parado na beira da estrada e calculei que alguém estava precisando de ajuda. Parei na casa do Manuelzão e a cena que vi nunca vou me esquecer. As expressões de alívio dos dois, quando me viram passar na caminhonete, buzinando e já meio parando. O Manuelzão, negro do olhos mais azuis que já vi, um homem grande e forte, de 1,90, mão forte e voz doce como de saracura, correndo desembestado pela carreteira, e atrás dele um minguelinho todo vestido de cowboy, bota de franja e cano fino, chapéu de couro, roupa justa e aprumado.
Duas figuras tão típicas e assíncrones, passando por uma experiência cultural que certamente eles nunca vão conseguir entender, e por conseguinte, no máximo vão dar muita risada, e eu, sujeito fronteriça dessas realidades, circulando um pouco lá, um pouco cá, fruto de minha herança familiar e de minhas escolhas profissionais, buscando explicar como surgem os mal entendidos oriundos das diferenças culturais.
O final desse causo vocês deduzem bem se imaginam que terminamos na Sarandi tomando uma patrícia bem gelada na city. Eu e o tal ricardinho, por que o Manuelzão foi pegar o Bilica la nas bandas das Três Vendas.
E tudo termina em canha, como bem manda a tradição no Brasil.

(os personagens e eventos dessa história são fictícios, não há nenhuma relação com qualquer evento da vida real)

PROFESSOR

           O professor disserta
           Sobre ponto difícil do programa.
           Um aluno dorme,
           Cansado das canseiras desta vida.
           O professor vai sacudí-lo?
           Vai repeendê-lo?
           Não.
           O professor baixa a voz
           Com  medo de acordá-lo.
                                     Carlos Drummond de Andrade
                                                         
                                           Jane Maira   

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

"FESSORA..."

          Eu ainda não sei bem
          as regras gramaticais
          conjugar verbos...
          problemas...
          concordâncias nominais.
          Mas falo a minha língua
          e podemos ser iguais.
          Sua escola está distante
          do meu mundo de fantasias.
          O que eu faço está errado,
          o que eu penso é heresia.
          Diferencio o canto das aves,
          converso com animais.
          Da terra tiro o sustento,
          alimentos naturais.
          Converso, participo, discuto
          sem formas gramaticais.
          Sua escolaé muito grande
          pro meu mundo de menino.
          Tanto espaço, quantas normas!
          Tantas pessoas por perto,
          mas sempre estou sozinho.
          Minha letra não agrada,
          meus versos não rimam.
          Somos mundos tão distantes,
          nossos sonhos não combinam.
          Melhor não perder tempo.
          Prefiro uma escola
          que me aceite como sou,
          que oriente para a vida,
          sem moldes, sem opressor,
          onde existe respeito,
          carinho e amor.                      
                 Vilani Noronha (Ló)
                                                  Eni Araujo
Sim
A sua disposição
Para dispor
Do jeito que melhor 
Lhe aprouver
Com posição na composição pessoal
De cada par de olhos e mente
E mente que a mente não é semente?

AMIGO

        
                                                          AMIGO     


             Numa poltrona macia,
              No colo da avó,
               Na cama aconchegante,
                Debaixo da amiga árvore...
                 É avião que me leva ao
                  Japão,Quixadá ou Bagdá!
                   Se a tristeza vem,
                    Traz asa ligeiras,verdes de esperanças...
                     Se a euforia é crescente,
                      Tece na medida a malancolia boa pra pensar.
                       Se o sono não vem,
                        Se o medo quer brincar,
                         Inventa sonhos azuis
                          Pra eu acordar
                           Manhãs de sol e emoções...
                            Se eu quero entender, desvendar o porquê, pra quê,
                             Como, onde, cadê?
                               É você a chave que abre
                                As gavetas, janelas e portas!
                                  É você: Livro Amigo!
  
                                         
        

ESTUDANDO AS LÍNGUAS NATURAIS


CURSO RELÂMPAGO DE LÍNGUAS
A versatilidade e a criatividade das línguas são marcas dos regionalismos e da experiência histórica e cultural, o que torna as línguas elemento de identidade cultural. Um exemplo está na tradução literal de expressões típicas brasileiras para outros idiomas. Confira...
1.. Is we in the tape! = É nóis na fita!
2.. Tea with me that I book your face = Chá comigo que eu livro sua cara.
3.. I am more I. = Eu sou mais eu.
4.. Do you want a good-good? = Você quer um bombom?
5.. Not even come that it doesn’t have! = Nem vem que não tem!
6.. Wrote, didn’t read, the stick ate! = Escreveu, não leu, o pau comeu!
7.. She is full of nine o’clock. = Ela é cheia de nove horas.
8.. Between, my well. = Entre, meu bem!
9.. You traveled on the mayonnaise = Você viajou na maionese.
10.. I am completely bald of knowing it. = Tô careca de saber.
11.. To kill the snake and show the dick = Matar a cobra e mostrar o pau.
12.. Ooh! I burned my movie! = Oh! Queimei meu filme!
13.. I will wash the mare. = Vou lavar a égua.
14.. Are you thinking here’s the house of Mother Johanne? = Tá pensando que aqui é a casa da Mãe Joana?
15.. Go catch little coconuts! = Vai catar coquinho!
16.. You are by out! = Você está por fora!
17.. If you run, the beast catches, if you stay the beast eats! = Se correr, o bicho pega, se ficar o bicho come!
18.. Ops, gave Zebra! = Xiiiii, deu zebra!
19.. Don’t fill my bag! = Não me encha o saco!
20.. Before afternoon than never. = Antes tarde do que nunca.
21.. Take out the little horse from the rain = Tire o cavalinho da chuva.
22.. The cow went to the swamp.= A vaca foi pro brejo!
23.. To give one of John the Armless = Dar uma de João-sem-Braço.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Dando uma garibada...

alouuuu...
a novidade de hoje não é textual, literária, mas numérica e musical...consegui colocar o contador de visitas e uma música pra trilha...tá que foi de um jeito meio babaca, mas foi como eu consegui...aceito sugestões de como encontrar o código html das músicas, ou como colocar uma playlist (hoje já cansei de tentar...)
me dá um help, plisss...
myrtita

terça-feira, 23 de novembro de 2010

HAURÉLHO



Um pouco de cultura!


Testículo.... ......... ......... ...Texto pequeno
Abismado.... ......... ......... Aquele que caiu num abismo
Pressupor... ......... ......... ..Colocar preço em algo
Missão....... ......... ......... ...Missa prolongada
Padrão....... ......... ......... Padre muito alto
Estouro..... ......... ......... .Touro que virou boi
Democracia.. ......... ......... Sistema de governo do inferno
Barracão..... ......... ......... Proíbe a entrada de cachorros
Homossexual. ......... ......... .Sabão para partes íntimas
Ministério... ......... ......... Pequeno aparelho de som
Edifício..... ......... ........Antô nimo de 'é fácil'
Diabetes.... ......... ......... ...Dançarinas do diabo
Detergente.. ......... ......... .Ato de prender humanos
Armarinho... ......... ......... Vento que vem do mar
Eficiência... ......... ........Estudo das propriedades do 'F'
Conversão.... ......... ......... Papo prolongado
Barganhar... ......... ......... ..Receber de herança um bar
Fluxograma.. ......... ......... Direção em que cresce o capim
Halogênio.... ......... ........Cumprimento a um gênio
Expedidor... ......... ......... Antigo mendigo
Luz solar....... ......... .......Sapato com luz na sola
Cleptomaníaco. ......... ........Fã de Eric Clapton
Tripulante.. ......... ......... Especialista em salto triplo
Aspirado.... ......... ......... .Carta de baralho maluca
Cerveja..... ......... ......... O sonho de toda revista
Regime militar..... ......... ....Dieta feita no exército
Bimestre.... ......... ......... .Mestre em duas artes marciais
Caçador...... ......... ........Quem procura ter dor
Volátil...... ......... ........Avisa ao tio que vai lá
Assaltante.. ......... ......... Um 'A' que salta
Determine... ......... ......... ..Prender a namorada do Mickey
Pornográfico. ......... ......... .O mesmo que por no desenho
Coordenada.. ......... ......... Que não tem cor
Presidiário.. ......... ........Que é preso todos OS dias
Ratificar... ......... ......... Tornar-se um rato
Suburbanos.. ......... ......... ..Habitantes de túneis do metrô
Violentamente. ......... .......Viu bem devagar
Contribuir.. ......... ......... .Ir com vários índios

Só não me pergunte porque que separado se escreve tudo junto se
tudo junto se escreve separado

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Onde a vingança não triunfa, o amor redime


Os jogos de poder, o papel da mídia, o Estado do medo e da manipulação.
O herói sem nome nem rosto, sem passado, sem história
Constituindo a identidade do povo dominado e acuado pela insanidade
O Estado totalitário, que tudo vê e controla
A chave da verdadeira redenção está no amor

Cinema com pipoca, que traz arquétipos interessantes para se refletir.

domingo, 21 de novembro de 2010

DO AMOR A OUTRAS MISÉRIAS HUMANAS

"Brilharam-lhes lágrimas nos olhos. ambos estavam magros e pálidos, mas, nas pobres faces transtornadas, cintilava a aurora de uma vida nova, de uma ressurreição. Era o amor que os ressuscitava. o coração de um continha uma fonte de vida inesgotável para o outro."
(Fiodor Dostoiévski. Crime e Castigo, p. 354)
Toda a miséria humana se resume a falta de amor...
Escolhas erradas, culpa e pecado. O amor tudo cura.
Bom domingo,
myrtita

sábado, 20 de novembro de 2010

É isso aí Myrta, a leitura e a interpretação do mundo e das coisas dá-se pelo fato de pararmos para observar as pequenas coisas que nos cercam e interpretá-las de acordo com o nosso conhecimento de prévio, que cada um de nós possui... O ato de ler e interpretar não dá-se apenas através das letras, dos códigos, dos números e sim, do mundo em si.

Abraços, Danielli Brondani.

o ninho do casal de pombinhos

hmmm...Se Paulo Freire nos ensinou que a leitura de mundo antecede a leitura da palavra, devemos exercitar a capacidade de fazer a leitura da bibliodiversidade...ler tudo a nossa volta...
Mudei meus móveis do escritório. Meu computador está na janela. Da minha janela vejo uma macieira. Na macieira vejo um casal de pombinhos construindo com afinco um ninho. Trabalham o dia inteiro. Primeiro um ficava no galho e o outro passou o dia trazendo galhos diversos. No dia seguinte, já eram os dois a campear tijolos para sua casa.E eu aqui, lendo o mundo...
bjs, myrtita

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Publicamos em nosso blog trechos de uma Carta de Paulo Freire aos professores,  publicado na Revista Estudos Avançados, no ano de 2001, a fim de provocar uma reflexão sobre a leitura e a escrita:



[...] O fato de que ensinar ensina o ensinante a ensinar um certo conteúdo não deve significar, de modo algum que o ensinante se aventure a ensinar sem competência para fazê-lo [...]


[...] O ato de estudar implica sempre o de ler, mesmo que neste não se esgote. De ler o mundo, de ler a palavra e assim ler a leitura do mundo anteriormente feita [...]


[...] Quando aprendemos a ler, o fazemos sobre a escrita de alguém que antes aprendeu a ler e a escrever. Ao aprender a ler, nos preparamos para imediatamente escrever a fala que socialmente construímos [...]

Abraços, Danielli Brondani.






quarta-feira, 17 de novembro de 2010

tempo tempo tempo...

Administrar o tempo é um grande desafio...dias curtos demais pra fazer tudo de que gosto. Há que ser seletivo e prioritário nas escolhas, então não dá pra perder tempo com coisas sem importância. Sentar pra ler um livro, ouvir uma boa música (José James é a descoberta do momento, recomendo...), cuidar de seus hobbyes, de seus queridos, de seu corpo, de sua mente, de seu espírito. Ser feliz é uma questão de escolha. Recomendo uma leitura em especial: O Físico, de Noah Gordon, Conta a história de um homem que, na Idade média, vai contra as regras de sua sociedade e encontra uma alternativa criativa para transformar sua condição e correr atrás de seu sonho. É uma boa reflexão, para quando a gente se encontra muito parado, almejando coisas que não estão ao nosso alcance, por pura falta de movimento interno. Beijos, paz e luz, myrtita

domingo, 14 de novembro de 2010

Para gostar de ver, para gostar de ou vir, para gostar de ler

Confira o vídeo da música "Carne e Osso", com participação de Paulo Moska
http://www.youtube.com/watch?v=jStohkB9jPQ



Essa música nos faz refletir sobre nossas ações, pois, nos toca o coração e a alma...

Abraços, Danielli Brondani Severo.

sábado, 13 de novembro de 2010

Música e Literatura...afetando e transformando

que sentimentos e reflexões te desperta a música "Carne e Osso"?

CARNE E OSSO

Zélia Duncan

Composição: Moska e Zélia Duncan
Alegria do pecado às vezes toma conta de mim
E é tão bom não ser divina
Me cobrir de humanidade me fascina
E me aproxima do céu

E eu gosto de estar na terra cada vez mais
Minha boca se abre e espera
O direito ainda que profano
Do mundo ser sempre mais humano

Perfeição demais me agita os instintos
Quem se diz muito perfeito
Na certa encontrou um jeito insosso
Pra não ser de carne e osso, pra não ser carne e osso

novas experiências

Hoje a novidade do blog é a chegada da Eni.
Para que não sabe este blog nasceu para não ser sozinho. Proposta do curso Mediadores da Leitura na Bibliodiversidade, estamos constituindo um grupo de trabalho colaborativo, E as contribuições de cada integrante servirão para uma reflexão e construção coletivas.
Beijos para todas, Eni Araujo

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lembro do cheiro, da textura e da emoção de estar lendo meu primeiro livro de gente grande...devia ter lá pelos 8 anos de idade...da história? só conto se puder colar do Gúgou...
minha memória é realmente alheia à minha vontade!

Bem, daí que fui buscar referências e eis que a história de Heidi afetou muito esta criança de hoje...ou pelo menos como a vejo e sinto diariamente. Ficou curioso? acesse o link http://www.classicosdaliteraturajuvenil.blogspot.com/
Mas resumindo, o livro transita sobre temas como a orfandade, a suavidade e amorosidade infantis e a inclusão.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Livros: meus amigos imaginários

A Revista Superinteressante de novembro/2010 traz uma reportagem suoer interessante mesmo, sobre “Amigos Imaginários”
Escrito por Juliana Cunha, o texto contribui de maneira significativa par ao entendimento deste processo natural na infância, apresentando dados que indicam que 2/3 das crianças entre 3 e 7 anos de idade tem ou fazem referência à existência de amigos imaginários.
Segundo estudos, crianças que desenvolvem essa característica desenvolvem mais precocemente as capacidades psicológicas e cognitivas, por se tratar de uma espécie de preparação para a vida das relações, onde a criança treina com seu amigo as necessária trocas e negociações que uma convivência social harmônica nos exige.
Durante a leitura do texto me dei conta de duas coisas: primeiro, que nunca conheci, na minha experiência profissional e na convivência familiar e social, crianças que manifestassem a existência de um amigo imaginário; eu também não lembro se tive um amigo imaginário. Essa constatação me fez inferir que, no momento em que uma criança cria um amigo imaginário, ela está explorando seu pensamento simbólico de maneira lúdica, o que será altamente relevante para a ampliação de suas capacidades cognitivas futuras. Mas daí me dei conta de outra coisa...se bem não tive um amigo imaginário, os livros fizeram esse papel, qual seja o de catalisador para a elaboração de perdas e frustrações, para exercitar simbolicamente a convivência com o outro, a vivência de situações imaginárias. Assim, os livros (e os personagens) foram e são, no mundo mágico  da imaginação, meus amigos imaginários...
Isso me deu conforto e sentimento de pertencimento...foi bom...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Agregando valor

Ler é aprender, é adquirir conheimentos, é lazer...

Poesia no jardim...

Na sociedade da informação, quando a gente copia algo escrito por outra pessoa – e não faz a referência por que não sabe exatamente de quem é – não constitui um graaaaande pecado...afinal, o que vale é a reflexão que fazemos em cima da informação recebida. Esta é realmente a verdadeira autoria. Após este breve prólogo (que serve como justificativa e pedido de desculpas à colega que me enviou o texto abaixo) trago este poema, que serve muito bem para enfeitar o jardim de flores diferentes. Grata, Lourdes!

"Todo o jardim começa com um sonho de amor,
Antes que qualquer árvore seja plantada,
ou qualquer lago seja construído, 
é preciso que as árvores e os lagos tenham nascido dentro da alma.
Quem não tem jardim por dentro, não planta jardim por fora, 
nem passeia por eles".


Adorei Myrta,
Abraços, Danielli.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Um jardim de flores diferentes

Ontem me deparei com um almanaque destinado ao público infantil, que apresentava temas diversos, em várias áreas do conhecimento. Nada acontece por acaso, abro o livro em suas páginas finais, que vinham divididas em cores, conforme o assunto...escolhi as páginas de cor violeta. Eram da parte da Cultura. Abri justo na página da LITERATURA! Engraçado é que na hora nem fiz a associação com o tema que me levou a começar este blog.
Bem, o texto, escrito de maneira simples e acessível, para crianças em idade escolar, trazia algumas considerações muito importantes. A primeira delas:
 - A escrita é tão fundamental em nossa civilização que a história é dividida em duas idades, cujo marco histórico é...A ESCRITA! Isso nos faz inferir sobre como a habilidade da leitura e da escrita são ferramentas de distinção social e de poder. Na evolução onto e filogenética, o domínio da escrita marca uma etapa decisiva para a constituição da inteligência, posto que permite uma elaboração mental por meio do pensamento e da linguagem que ampliam a competência lingüística dos sujeitos.
- o texto trazia ainda uma distinção entre o que é texto literário e texto não literário, onde a diferença está no fato de que o texto literário desperta sensações e sentimentos no leitor, remetendo à possibilidade de mudança no comportamento e na visão de mundo do leitor.
Hmmm..entendi por que quem cultiva o hábito da leitura, cultiva um jardim de flores diferentes e mágicas...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

(esse texto está muito bom...recomendo...visualize em http://www.meuartigo.brasilescola.com/educacao/a-importancia-literatura-infantil-para-desenvolvimento.htm)

 

A importância da leitura infantil para o desenvolvimento da criança

Por: Eline Fernandes de Castro
“O desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que principia no lar, aperfeiçoa-se sistematicamente na escola e continua pela vida afora.”
Bamberger
Resumo
Reconhecer a importância da literatura infantil e incentivar a formação do hábito de leitura na idade em que todos os hábitos se formam, isto é, na infância, é o que este artigo vem propor. Neste sentido, a literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver a imaginação, emoções e sentimentos de forma prazerosa e significativa. O presente estudo inicia com um breve histórico da literatura infantil, apresenta conceitos de linguagem e leitura, enfoca a importância de ouvir histórias e do contato da criança desde cedo com o livro e finalmente esboça algumas estratégias para desenvolver o hábito de ler.
Palavras-chave: Educação, Literatura Infantil, Leitura, Desenvolvimento da criança.
Introdução
O estudo realizado tem por objetivo, verificar a contribuição da literatura infantil no desenvolvimento social, emocional e cognitivo da criança. Ao longo dos anos, a educação preocupa-se em contribuir para a formação de um indivíduo crítico, responsável e atuante na sociedade. Isso porque se vive em uma sociedade onde as trocas sociais acontecem rapidamente, seja através da leitura, da escrita, da linguagem oral ou visual.
Diante disso, a escola busca conhecer e desenvolver na criança as competências da leitura e da escrita e como a literatura infantil pode influenciar de maneira positiva neste processo. Assim, Bakhtin (1992) expressa sobre a literatura infantil abordando que por ser um instrumento motivador e desafiador, ela é capaz de transformar o indivíduo em um sujeito ativo, responsável pela sua aprendizagem , que sabe compreender o contexto em que vive e modificá-lo de acordo com a sua necessidade.
Esta pesquisa visa a enfocar toda a importância que a literatura infantil possui, ou seja, que ela é fundamental para a aquisição de conhecimentos, recreação, informação e interação necessários ao ato de ler. De acordo com as idéias acima, percebe-se a necessidade da aplicação coerente de atividades que despertem o prazer de ler, e estas devem estar presentes diariamente na vida das crianças, desde bebês. Conforme Silva (1992, p.57) “bons livros poderão ser presentes e grandes fontes de prazer e conhecimento. Descobrir estes sentimentos desde bebezinhos, poderá ser uma excelente conquista para toda a vida.”
Apesar da grande importância que a literatura exerce na vida da criança, seja no desenvolvimento emocional ou na capacidade de expressar melhor suas idéias, em geral, de acordo com Machado (2001), elas não gostam de ler e fazem-no por obrigação. Mas afinal, por que isso acontece? Talvez seja pela falta de exemplo dos pais ou dos professores, talvez não.
O que se percebe é que a literatura, bem como toda a cultura criadora e questionadora, não está sendo explorada como deve nas escolas e isto ocorre em grande parte, pela pouca informação dos professores. A formação acadêmica, infelizmente não dá ênfase à leitura e esta é uma situação contraditória, pois segundo comentário de Machado (2001, p.45) “não se contrata um instrutor de natação que não sabe nadar, no entanto, as salas de aula brasileira estão repletas de pessoas que apesar de não ler, tentam ensinar”.
Existem dois fatores que contribuem para que a criança desperte o gosto pela leitura: curiosidade e exemplo. Neste sentido, o livro deveria ter a importância de uma televisão dentro do lar. Os pais deveriam ler mais para os filhos e para si próprios. No entanto, de acordo com a UNESCO (2005) somente 14% da população tem o hábito de ler, portanto, pode-se afirmar que a sociedade brasileira não é leitora. Nesta perspectiva, cabe a escola desenvolver na criança o hábito de ler por prazer, não por obrigação.
Contextualizando Literatura Infantil
Os primeiros livros direcionados ao público infantil, surgiram no século XVIII. Autores como La Fontaine e Charles Perrault escreviam suas obras, enfocando principalmente os contos de fadas. De lá pra cá, a literatura infantil foi ocupando seu espaço e apresentando sua relevância. Com isto, muitos autores foram surgindo, como Hans Christian Andersen, os irmãos Grimm e Monteiro Lobato, imortalizados pela grandiosidade de suas obras. Nesta época, a literatura infantil era tida como mercadoria, principalmente para a sociedade aristocrática. Com o passar do tempo, a sociedade cresceu e modernizou-se por meio da industrialização, expandindo assim, a produção de livros.
A partir daí os laços entre a escola e literatura começam a se estreitar, pois para adquirir livros era preciso que as crianças dominassem a língua escrita e cabia a escola desenvolver esta capacidade. De acordo com Lajolo & Zilbermann, “a escola passa a habilitar as crianças para o consumo das obras impressas, servindo como intermediária entre a criança e a sociedade de consumo”. (2002, p.25)
Assim, surge outro enfoque relevante para a literatura infantil, que se tratava na verdade de uma literatura produzida para adultos e aproveitada para a criança. Seu aspecto didático-pedagógico de grande importância baseava-se numa linha moralista, paternalista, centrada numa representação de poder. Era, portanto, uma literatura para estimular a obediência, segundo a igreja, o governo ou ao senhor. Uma literatura intencional, cujas histórias acabavam sempre premiando o bom e castigando o que é considerado mau. Segue à risca os preceitos religiosos e considera a criança um ser a se moldar de acordo com o desejo dos que a educam, podando-lhe aptidões e expectativas.
Até as duas primeiras décadas do século XX, as obras didáticas produzidas para a infância, apresentavam um caráter ético-didático, ou seja, o livro tinha a finalidade única de educar, apresentar modelos, moldar a criança de acordo com as expectativas dos adultos. A obra dificilmente tinha o objetivo de tornar a leitura como fonte de prazer, retratando a aventura pela aventura. Havia poucas histórias que falavam da vida de forma lúdica, ou que faziam pequenas viagens em torno do cotidiano, ou a afirmação da amizade centrada no companheirismo, no amigo da vizinhança, da escola, da vida.
Essa visão de mundo maniqueísta, calçada no interesse do sistema, passa a ser substituída por volta dos anos 70 e a literatura infantil passa por uma revalorização, contribuída em grande parte pelas obras de Monteiro Lobato, no que se refere ao Brasil. Ela então, se ramifica por todos os caminhos da atividade humana, valorizando a aventura, o cotidiano, a família, a escola, o esporte, as brincadeiras, as minorias raciais, penetrando até no campo da política e suas implicações.
Hoje a dimensão de literatura infantil é muito mais ampla e importante. Ela proporciona à criança um desenvolvimento emocional, social e cognitivo indiscutíveis. Segundo Abramovich (1997) quando as crianças ouvem histórias, passam a visualizar de forma mais clara, sentimentos que têm em relação ao mundo. As histórias trabalham problemas existenciais típicos da infância, como medos, sentimentos de inveja e de carinho, curiosidade, dor, perda, além de ensinarem infinitos assuntos.
É através de uma história que se pode descobrir outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e de ser, outras regras, outra ética, outra ótica...É ficar sabendo história, filosofia, direito, política, sociologia, antropologia, etc. sem precisar saber o nome disso tudo e muito menos achar que tem cara de aula (ABRAMOVICH, 1997, p.17)
Neste sentido, quanto mais cedo a criança tiver contato com os livros e perceber o prazer que a leitura produz, maior será a probabilidade dela tornar-se um adulto leitor. Da mesma forma através da leitura a criança adquire uma postura crítico-reflexiva,extremamente relevante à sua formação cognitiva.
Quando a criança ouve ou lê uma história e é capaz de comentar, indagar, duvidar ou discutir sobre ela, realiza uma interação verbal, que neste caso, vem ao encontro das noções de linguagem de Bakhtin (1992). Para ele, o confrontamento de idéias, de pensamentos em relação aos textos, tem sempre um caráter coletivo, social.
O conhecimento é adquirido na interlocução, o qual evolui por meio do confronto, da contrariedade. Assim, a linguagem segundo Bakthin (1992) é constitutiva, isto é, o sujeito constrói o seu pensamento, a partir do pensamento do outro, portanto, uma linguagem dialógica.
A vida é dialógica por natureza. Viver significa participar de um diálogo: interrogar, escutar, responder, concordar, etc. Neste diálogo, o homem participa todo e com toda a sua vida: com os olhos, os lábios, as mãos, a alma, o espírito, com o corpo todo, com as suas ações. Ele se põe todo na palavra e esta palavra entra no tecido dialógico da existência humana, no simpósio universal. (BAKHTIN, 1992, p112)
E é partindo desta visão da interação social e do diálogo, que se pretende compreender a relevância da literatura infantil, que segundo afirma Coelho (2001, p.17), “é um fenômeno de linguagem resultante de uma experiência existencial, social e cultural.”
A leitura é um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto. Segundo Coelho (2002) a leitura, no sentido de compreensão do mundo é condição básica do ser humano.
A compreensão e sentido daquilo que o cerca inicia-se quando bebê, nos primeiros contatos com o mundo. Os sons, os odores, o toque, o paladar, de acordo com Martins (1994) são os primeiros passos para aprender a ler.Ler, no entanto é uma atividade que implica não somente a decodificação de símbolos, ela envolve uma série de estratégias que permite o indivíduo compreender o que lê. Neste sentido, relata os PCN’s (2001, p.54.):
Um leitor competente é alguém que, por iniciativa própria, é capaz de selecionar, dentre os trechos que circulam socialmente, aqueles que podem atender a uma necessidade sua. Que consegue utilizar estratégias de leitura adequada para abordá-los de forma a atender a essa necessidade.
Assim, pode-se observar que a capacidade para aprender está ligada ao contexto pessoal do indivíduo. Desta forma, Lajolo (2002) afirma que cada leitor, entrelaça o significado pessoal de suas leituras de mundo, com os vários significados que ele encontrou ao longo da história de um livro, por exemplo.
O ato de ler então, não representa apenas a decodificação, já que esta não está imediatamente ligada a uma experiência, fantasia ou necessidade do indivíduo. De acordo com os PCN’s (2001) a decodificação é apenas uma, das várias etapas de desenvolvimento da leitura. A compreensão das idéias percebidas, a interpretação e a avaliação são as outras etapas que segundo Bamberguerd (2003, p.23) “fundem-se no ato da leitura”. Desta forma, trabalhar com a diversidade textual, segundo os PCN’s (2001), fazendo com que o indivíduo desenvolva significativamente as etapas de leitura é contribuir para a formação de leitores competentes.
A importância de ouvir histórias
Ouvir histórias é um acontecimento tão prazeroso que desperta o interesse das pessoas em todas as idades. Se os adultos adoram ouvir uma boa história, um “bom causo”, a criança é capaz de se interessar e gostar ainda mais por elas, já que sua capacidade de imaginar é mais intensa.
A narrativa faz parte da vida da criança desde quando bebê, através da voz amada, dos acalantos e das canções de ninar, que mais tarde vão dando lugar às cantigas de roda, a narrativas curtas sobre crianças, animais ou natureza. Aqui, crianças bem pequenas, já demonstram seu interesse pelas histórias, batendo palmas, sorrindo, sentindo medo ou imitando algum personagem. Neste sentido, é fundamental para a formação da criança que ela ouça muitas histórias desde a mais tenra idade.
O primeiro contato da criança com um texto é realizado oralmente, quando o pai, a mãe, os avós ou outra pessoa conta-lhe os mais diversos tipos de histórias. A preferida, nesta fase, é a história da sua vida. A criança adora ouvir como foi que ela nasceu, ou fatos que aconteceram com ela ou com pessoas da sua família. À medida que cresce, já é capaz de escolher a história que quer ouvir, ou a parte da história que mais lhe agrada. É nesta fase, que as histórias vão tornando-se aos poucos mais extensas, mais detalhadas.
A criança passa a interagir com as histórias, acrescenta detalhes, personagens ou lembra de fatos que passaram despercebidos pelo contador. Essas histórias reais são fundamentais para que a criança estabeleça a sua identidade, compreender melhor as relações familiares. Outro fato relevante é o vínculo afetivo que se estabelece entre o contador das histórias e a criança. Contar e ouvir uma história aconchegado a quem se ama é compartilhar uma experiência gostosa, na descoberta do mundo das histórias e dos livros.
Algum tempo depois, as crianças passam a se interessar por histórias inventadas e pelas histórias dos livros, como: contos de fadas ou contos maravilhosos, poemas, ficção, etc. Têm nesta perspectiva, a possibilidade de envolver o real e o imaginário que de acordo com Sandroni & Machado (1998, p.15) afirmam que “os livros aumentam muito o prazer de imaginar coisas. A partir de histórias simples, a criança começa a reconhecer e interpretar sua experiência da vida real”.
É importante contar histórias mesmo para as crianças que já sabem ler, pois segundo Abramovich (1997, p.23) “quando a criança sabe ler é diferente sua relação com as histórias, porém, continua sentindo enorme prazer em ouvi-las”. Quando as crianças maiores ouvem as histórias, aprimoram a sua capacidade de imaginação, já que ouvi-las pode estimular o pensar, o desenhar, o escrever, o criar, o recriar. Num mundo hoje tão cheio de tecnologias, onde as informações estão tão prontas, a criança que não tiver a oportunidade de suscitar seu imaginário, poderá no futuro, ser um indivíduo sem criticidade, pouco criativo, sem sensibilidade para compreender a sua própria realidade.
Portanto, garantir a riqueza da vivência narrativa desde os primeiros anos de vida da criança contribui para o desenvolvimento do seu pensamento lógico e também de sua imaginação,que segundo Vigotsky (1992, p.128) caminham juntos: “a imaginação é um momento totalmente necessário, inseparável do pensamento realista.”. Neste sentido, o autor enfoca que na imaginação a direção da consciência tende a se afastar da realidade. Esse distanciamento da realidade através de uma história por exemplo, é essencial para uma penetração mais profunda na própria realidade: “afastamento do aspecto externo aparente da realidade dada imediatamente na percepção primária possibilita processos cada vez mais complexos, com a ajuda dos quais a cognição da realidade se complica e se enriquece. (VIGOTSKY, 1992, p.129) ”.
O contato da criança com o livro pode acontecer muito antes do que os adultos imaginam. Muitos pais acreditam que a criança que não sabe ler não se interessa por livros, portanto não precisa ter contato com eles. O que se percebe é bem ao contrário. Segundo Sandroni & Machado (2000, p.12) “a criança percebe desde muito cedo, que livro é uma coisa boa, que dá prazer”. As crianças bem pequenas interessam-se pelas cores, formas e figuras que os livros possuem e que mais tarde, darão significados a elas, identificando-as e nomeando-as.
É importante que o livro seja tocado pela criança, folheado, de forma que ela tenha um contato mais íntimo com o objeto do seu interesse.A partir daí, ela começa a gostar dos livros, percebe que eles fazem parte de um mundo fascinante, onde a fantasia apresenta-se por meio de palavras e desenhos. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p.16) “o amor pelos livros não é coisa que apareça de repente”. É preciso ajudar a criança a descobrir o que eles podem oferecer. Assim, pais e professores têm um papel fundamental nesta descoberta: serem estimuladores e incentivadores da leitura.
A literatura e os estágios psicológicos da criança
Durante o seu desenvolvimento, a criança passa por estágios psicológicos que precisam ser observados e respeitados no momento da escola de livros para ela. Essas etapas não dependem exclusivamente de sua idade, mas de acordo com Coelho (2002) do seu nível de amadurecimento psíquico, afetivo e intelectual e seu nível de conhecimento e domínio do mecanismo da leitura. Neste sentido, é necessária a adequação dos livros às diversas etapas pelas quais a criança normalmente passa. Existem cinco categorias que norteiam as fases do desenvolvimento psicológico da criança: o pré-leitor, o leitor iniciante, o leitor-em-processo, o leitor fluente e o leitor crítico.
O pré-leitor: categoria que abrange duas fases.Primeira infância (dos 15/17 meses aos 3 anos) Nesta fase a criança começa a reconhecer o mundo ao seu redor através do contato afetivo e do tato. Por este motivo ela sente necessidade de pegar ou tocar tudo o que estiver ao seu alcance. Outro momento marcante nesta fase é a aquisição da linguagem, onde a criança passa a nomear tudo a sua volta. A partir da percepção da criança com o meio em que vive, é possível estimulá-la oferecendo-lhe brinquedos, álbuns, chocalhos musicais, entre outros. Assim, ela poderá manuseá-los e nomeá-los e com a ajuda de um adulto poderá relacioná-los propiciando situações simples de leitura.
Segunda infância (a partir dos 2/3 anos) É o início da fase egocêntrica. Está mais adaptada ao meio físico e aumenta sua capacidade e interesse pela comunicação verbal. Como interessa-se também por atividades lúdicas, o “brincar”com o livro será importante e significativo para ela.
Nesta fase, os livros adequados, de acordo com Abramovich (1997) devem apresentar um contexto familiar, com predomínio absoluto da imagem que deve sugerir uma situação. Não se deve apresentar texto escrito, já que é através da nomeação das coisas que a criança estabelecerá uma relação entre a realidade e o mundo dos livros.
Livros que propõem humor, expectativa ou mistério são indicados para o pré-leitor.
A técnica da repetição ou reiteração de elementos são segundo Coelho (2002, p.34) “favoráveis para manter a atenção e o interesse desse difícil leitor a ser conquistado”. O leitor iniciante (a partir dos 6/7 anos) Essa é a fase em que a criança começa a apropriar-se da decodificação dos símbolos gráficos, mas como ainda encontra-se no início do processo, o papel do adulto como “agente estimulador” é fundamental.
Os livros adequados nesta fase devem ter uma linguagem simples com começo, meio e fim. As imagens devem predominar sobre o texto. As personagens podem ser humanas, bichos, robôs, objetos, especificando sempre os traços de comportamento, como bom e mau, forte e fraco, feio e bonito. Histórias engraçadas, ou que o bem vença o mal atraem muito o leitor nesta fase. Indiferentemente de se utilizarem textos como contos de fadas ou do mundo cotidiano, de acordo com Coelho (ibid, p. 35) “eles devem estimular a imaginação, a inteligência, a afetividade, as emoções, o pensar, o querer, o sentir”.
O leitor-em-processo (a partir dos 8/9anos) A criança nesta fase já domina o mecanismo da leitura. Seu pensamento está mais desenvolvido, permitindo-lhe realizar operações mentais. Interessa-se pelo conhecimento de toda a natureza e pelos desafios que lhes são propostos. O leitor desta fase tem grande atração por textos em que haja humor e situações inesperadas ou satíricas. O realismo e o imaginário também agradam a este leitor. Os livros adequados a esta fase devem apresentar imagens e textos, estes, escritos em frases simples, de comunicação direta e objetiva. De acordo com Coelho (2002) deve conter início, meio e fim. O tema deve girar em torno de um conflito que deixará o texto mais emocionante e culminar com a solução do problema.
O leitor fluente (a partir dos 10/11 anos) O leitor fluente está em fase de consolidação dos mecanismos da leitura. Sua capacidade de concentração cresce e ele é capaz de compreender o mundo expresso no livro. Segundo Coelho (2002) é a partir dessa fase que a criança desenvolve o “pensamento hipotético dedutivo” e a capacidade de abstração. Este estágio, chamado de pré-adolescência, promove mudanças significativas no indivíduo. Há um sentimento de poder interior, de ver-se como um ser inteligente, reflexivo, capaz de resolver todos os seus problemas sozinhos. Aqui há uma espécie de retomada do egocentrismo infantil, pois assim como acontece com as crianças nesta fase, o pré-adolescente pode apresentar um certo desequilíbrio com o meio em que vive.
O leitor fluente é atraído por histórias que apresentem valores políticos e éticos, por heróis ou heroínas que lutam por um ideal. Identificam-se com textos que apresentam jovens em busca de espaço no meio em que vivem, seja no grupo, equipe, entre outros.É adequado oferecer a esse tipo de leitor histórias com linguagem mais elaborada. As imagens já não são indispensáveis, porém ainda são um elemento forte de atração. Interessam-se por mitos e lendas, policiais, romances e aventuras. Os gêneros narrativos que mais agradam são os contos, as crônicas e as novelas.
O leitor crítico (a partir dos 12/13 anos) Nesta fase é total o domínio da leitura e da linguagem escrita. Sua capacidade de reflexão aumenta, permitindo-lhe a intertextualização. Desenvolve gradativamente o pensamento reflexivo e a consciência crítica em relação ao mundo. Sentimentos como saber, fazer e poder são elementos que permeiam o adolescente. O convívio do leitor crítico com o texto literário, segundo Coelho (2002, p.40) “deve extrapolar a mera fruição de prazer ou emoção e deve provocá-lo para penetrar no mecanismo da leitura”.
O leitor crítico continua a interessar-se pelos tipos de leitura da fase anterior, porém, é necessário que ele se aproprie dos conceitos básicos da teoria literária. De acordo com Coelho (ibid, p.40) a literatura é considerada a arte da linguagem e como qualquer arte exige uma iniciação. Assim, há certos conhecimentos a respeito da literatura que não podem ser ignorados pelo leitor crítico.
Conclusão
Desenvolver o interesse e o hábito pela leitura é um processo constante, que começa muito cedo, em casa, aperfeiçoa-se na escola e continua pela vida inteira. Existem diversos fatores que influenciam o interesse pela leitura. O primeiro e talvez mais importante é determinado pela “atmosfera literária” que, segundo Bamberguerd (2000, p.71) a criança encontra em casa. A criança que houve histórias desde cedo, que tem contato direto com livros e que seja estimulada, terá um desenvolvimento favorável ao seu vocabulário, bem como a prontidão para a leitura.
De acordo com Bamberguerd (2000) a criança que lê com maior desenvoltura se interessa pela leitura e aprende mais facilmente, neste sentido, a criança interessada em aprender se transforma num leitor capaz. Sendo assim, pode-se dizer que a capacidade de ler está intimamente ligada a motivação. Infelizmente são poucos os pais que se dedicam efetivamente em estimular esta capacidade nos seus filhos. Outro fator que contribui positivamente em relação à leitura é a influência do professor. Nesta perspectiva, cabe ao professor desempenhar um importante papel: o de ensinar a criança a ler e a gostar de ler.
Professores que oferecem pequenas doses diárias de leitura agradável, sem forçar, mas com naturalidade, desenvolverão na criança um hábito que poderá acompanhá-la pela vida afora. Para desenvolver um programa de leitura equilibrado, que integre os conteúdos relacionados ao currículo escolar e ofereça uma certa variedade de livros de literatura como contos, fábulas e poesias, é preciso que o professor observe a idade cronológica da criança e principalmente o estágio de desenvolvimento de leitura em que ela se encontra. De acordo com Sandroni & Machado (1998, p.23) “o equilíbrio de um programa de leitura depende muito mais do bom senso e da habilidade do professor que de uma hipotética e inexistente classe homogênea”.
Assim, as condições necessárias ao desenvolvimento de hábitos positivos de leitura, incluem oportunidades para ler de todas as formas possíveis. Freqüentar livrarias, feiras de livros e bibliotecas são excelentes sugestões para tornar permanente o hábito de leitura.
Num mundo tão cheio de tecnologias em que se vive, onde todas as informações ou notícias, músicas, jogos, filmes, podem ser trocados por e-mails, cd’s e dvd’s o lugar do livro parece ter sido esquecido. Há muitos que pensem que o livro é coisa do passado, que na era da Internet, ele não tem muito sentido. Mas, quem conhece a importância da literatura na vida de uma pessoa, quem sabe o poder que tem uma história bem contada, quem sabe os benefícios que uma simples história pode proporcionar, com certeza haverá de dizer que não há tecnologia no mundo que substitua o prazer de tocar as páginas de um livro e encontrar nelas um mundo repleto de encantamento.
Se o professor acreditar que além de informar, instruir ou ensinar, o livro pode dar prazer, encontrará meios de mostrar isso à criança. E ela vai se interessar por ele, vai querer buscar no livro esta alegria e prazer. Tudo está em ter a chance de conhecer a grande magia que o livro proporciona. Enfim, a literatura infantil é um amplo campo de estudos que exige do professor conhecimento para saber adequar os livros às crianças, gerando um momento propício de prazer e estimulação para a leitura.
Trabalho científico apresentado à Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, como requisito parcial para a obtenção do Título de graduada em Licenciatura Específica em Português.
ELINE FERNANDES DE CASTRO