galhos raízes

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

















BIBLIOTECA MULTIMÍDIA ITINERANTE NA CONSTRUÇÃO DA LEITURA













Danielli Severo
Eni Araújo
Jane Maira Pacheco
Myrta Kras
Ximena Dergam








Santana do Livramento, janeiro de 2011


1)     TEMA
BIBLIOTECA MULTIMÍDIA ITINERANTE NA CONSTRUÇÃO DA LEITURA

2)     PROBLEMA
A pouca acessibilidade às fontes de leitura nas comunidades escolares de Zona Rural do Município de Santana do Livramento

3)     JUSTIFICATIVA
- ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional das bibliotecas
- promover a contextualização cultural
- superação das barreiras atitudinais
- transformar conceitos que conduzam a implementação e ampliação da visão sob diferentes formas de aceder à leitura
- ambiente da biblioteca mais dinâmico e diversificação das atividades
- entender a biblioteca como um bem de produção cultural

4)     OBJETIVO GERAL
Favorecer o processo de construção da leitura na bibliodiversidade

5)     OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Sensibilizar as comunidades escolares sobre a bibliodiversidade
- Desenvolver as quatro habilidades lingüísticas (ouvir, falar, ler e  escrever)
- Incentivar a leitura de mundo
- Propiciar o acesso à cidadania por meio da Educação e Cultura
- Proporcionar vivências por meio das diferentes linguagens

6)     MATERIAL
Ônibus customizado para atender ao propósito do projeto
Livros
Fichário de Planejamento de Atividades
Aparelho de DVD
Data-show e telão
Aparelho de som
Videoteca
Pinacoteca
Discoteca
Note-book com acesso à internet
Fantasias
Filmadora
Material Escolar (folhas, lápis de cor, tinta, massa de modelar, tesoura, cola, argila, etc)
Combustível
Material Jornalístico impresso
Almofadas
Tapete



7)     METODOLOGIA

7.1 Público alvo
Comunidades Escolares da Zona Rural do Município de Santana do Livramento

7.2 Local
Espaço físico das escolas e dependências do veículo-biblioteca

7.3 Desenvolvimento

            O projeto “Biblioteca Multimídia Itinerante na Construção da Leitura” tem uma abordagem ampla e interdisciplinar, caracterizando-se por ser um mediador da leitura e do conhecimento para as pessoas que moram na zona rural da cidade de Santana do Livramento. Os envolvidos buscam o processo de elaboração e implementação das características oferecidas pelo projeto, bem como a inserção de atividades lúdicas e complementares para a comunidade da zona rural.
            A Biblioteca Itinerante e multifuncional favorece o acesso de todos à bens culturais, envolvendo os sujeitos através da afetividade e do entretenimento. A leitura promove um conhecimento de mundo, das pessoas e da comunidade, valendo-se do uso das mais variadas tecnologias, quais sejam: a televisão, o vídeo, o DVD, o note-book, entre tantas outras ferramentas educacionais e tecnológicas.
            Para a execução deste projeto, será necessário que o grupo de trabalho busque junto aos órgãos públicos a adesão à projetos de financiamento na área da cultura e da educação, a fim de obter recursos financeiros para a compra de materiais e adaptação do veículo a serem usados nas atividades itinerantes.
            Após este primeiro passo, o grupo de trabalho deverá constituir-se com profissionais com formação inicial e/ou continuada nas áreas da pedagogia, biblioteconomia, informática e arte-educação, com a finalidade de enriquecer a proposta de intervenção. Esta resolução faz-se necessária para que os planos de trabalho estejam de acordo com a idéia da dinamicidade e da interdisciplinaridade que faz juz ao conceito da construção da leitura mediada na bibliodiversidade.
As atividades serão planejadas obedecendo a tais princípios, e para tanto serão propostos trabalhos integrados e contextualizados a realidade dos sujeitos, mas também, ampliando a visão de mundo e ultrapassando as fronteiras dos saberes constituídos.
Uma sugestão de práticas mediadoras seria organizar visitas mensais, onde uma temática geral seria abordada em um eixo paradigmático, nas diferentes expressões culturais. Seriam propostos temas tais como o homem do campo, o homem da cidade, o homem clássico, o homem contemporâneo, etc, que tenham sido representados nas diferentes manifestações culturais através dos tempos (arte visual, música, arte dramática, literatura e novos códigos de linguagem tecnológica).
As visitas contariam com um tempo aproximado de 4 horas, distribuídas sob a forma de oficinas, orientadas por cinco mediadores.
Ao término de cada trabalho realizado nas diferentes escolas será proposta uma mini-exposição dos trabalhos realizados, momento em que a equipe poderá realizar uma avaliação da visita, a partir dos relatos dos participantes e das considerações dos professores da escola.
Um dos resultados esperados pelas mediadoras é a criação de um vínculo que permita a comunicação por escrito – seja por meio virtual ou via cartas, de modo a ampliar o processo de leitura e escrita, entre os alunos e mediadores.
A culminância prevê a realização de uma grande feira, com a presença de todos os alunos e a exposição dos trabalhos e o registro dos melhores momentos vivenciados.


7.4 Descrição de atividades

ATIVIDADE: NARRATIVAS DE CENAS
·  A partir de cenas escolhidas de revistas, os alunos devem realizar uma observação;
·  Como seguimento, deverão descrever onde está acontecendo a cena;
·  Quando está acontecendo a cena;
·  Quais são os personagens;
·  Logo, serão convidados a imaginar o que está acontecendo na cena e terão que inventar um final para a mesma;
·  Para finalizar a atividade, devem realizar um texto sobre o assunto.
ATIVIDADE: Criando um vínculo amoroso com os livros
- Através de um contato oralmente dirigido pelo mediador, levar os alunos a criarem um vínculo afetivo com os livros.
- Primeiramente, os  alunos são convidados a escolherem um livro na estante e voltar ao seu lugar com o mesmo.
- A seguir, devem observar o livro escolhido, suas características físicas (textura, cores, cheiros, peso, etc)
- Os alunos então serão convidados a manifestar carinho pelo livro, abraçando-o e acariciando-o.
- O passo seguinte é a estimulação visual, onde os alunos são orientados a folhear os livros e observar todos os detalhes existentes.
Após haver sido criado o vínculo afetivo com o livro, os alunos deverão fazer a leitura silenciosa do livro, para então fazerem um relato oral de quais sentimentos e pensamentos o livro lhe transmitiu.

ATIVIDADE: Almofada dos sentimentos
- Sentados em círculo, os alunos terão a sua disposição almofadas que caracterizam diversos sentimentos – medo, raiva, alegria, tristeza, susto, etc.
- O mediador orienta os alunos a pensar em qual das almofadas gostaria de pegar para representar o motivo que o levou a manifestar aquele sentimento.
- Cada aluno com uma almofada em suas mãos faz o seu relato para o grupo
- Por fim, os alunos devem fazer uma representação – por meio de desenho ou texto – a experiência vivenciada.


ATIVIDADE: MEU NOME, MEU RETRATO
-         Apresentar o poema “Meu nome, meu retrato”, de Ziraldo
-         Cada aluno apresenta o nome e o sobrenome
-         Interpretação do texto
-         Por que o poeta diz que a letra A se chama André, e que também poderia chamar-se Antônio, Alex...?
-         Pedir para que os alunos citem outros nomes com a letra B, e outras letras do alfabeto.
-         Ao Solicitar aos alunos que indiquem nomes de animais, alimentos, objetos com as letras trabalhadas.
-         A mediadora distribui aleatoriamente fichas com nomes diversos de pessoas, animais, alimentos ou objetos. A seguir, canta o nome de uma letra e os alunos devem identificar se esta letra aparece na inicial de alguma de suas fichas.

ATIVIDADE: Contextualização dos problemas ambientais
DESENVOLVIMENTO
As mediadoras apresentam uma notícia impressa que traga informações sobre algum desastre natural recentemente ocorrido.
A seguir, monta-se um banco de palavras com a turma, onde acrescenta-se alguns termos previamente estabelecidos, tais como aquecimento global, desastre ambiental, ciclone, enchentes, queimadas, etc, sendo trabalhado oralmente com a turma o significado de cada um.
Com base nestes conceitos, as estagiárias propõem atividades de leitura e escrita, tais como caça-palavras, cruzadas, etc.

ATIVIDADE: Filme A Era do Gelo
DESENVOLVIMENTO:
-         As crianças assistirão ao filme “A Era do Gelo II”.
-         Junto ao grande grupo, se problematiza o seguinte:
1)     Quais os problemas enfrentados pelos personagens da história para garantir sua sobrevivência? (os alunos farão seus comentários verbalmente);
2)      As mediadoras farão a mediação dos comentários, contextualizando-os e conceituando as opiniões dos alunos;
3)     Após os comentários, lança-se um segundo questionamento: De que forma o aquecimento global repercute em nossa sobrevivência?
4)     A turma se dividirá em grupos menores com a finalidade de desenvolver a seguinte tarefa: dramatizar uma situação do problema levantado, podendo cada grupo definir uma abordagem diferente dentro da temática proposta.

ATIVIDADE: Fábula “O Leão e o Rato”

DESENVOLVIMENTO

- Apresentar a fábula “O Leão e o Rato” ao grande grupo.
- Conversar sobre o significado de uma fábula.
- Realizar a leitura do mesmo.
- Interpretar de forma organizada e coletiva o texto.
- Lançar questões, como por exemplo, “o que fazia o ratinho enquanto o leão dormia?”, “o que o ratinho demonstrou ao gritar: - Perdão, rei dos animais.”
- Questionar o que eles, alunos, fariam no lugar do ratinho.
- Discutir com as crianças a moral da fábula, o ensinamento que ela deixa.
- Convidar as crianças para que elas representem pela expressão corporal, os momentos que mais gostaram da fábula.

ATIVIDADE: Leitura de histórias
Será feita a leitura de contos infantis para os alunos.  Dentre eles, histórias como “Cinderela”, “Branca de Neve e os sete anões”, “O Gato de Botas”, “Chapeuzinho Vermelho”, etc. A seguir, será proposto que as crianças criem intertextos, contextualizando para sua vivência, tendo como sugestões:
“A lenda do Primeiro Gaúcho, Saci Pererê, O Negrinho do Pastoreio,
A Chinoca, Branca de Neve e branca de geada e os sete piás, O gato de bombachas, Boininha Preta, 

ATIVIDADE: Música
Será realizada a atividade através da tecnologia som, com a música “Canto Alegretense”, da autoria de “Os Fagundes”.  A atividade proposta será a realização de uma paródia ou uma paráfrase, de acordo com a imaginação e criatividade de cada um. O dicionário também será usado a fim de auxiliar na escolha adequada das palavras bem como no uso correto das mesmas. Um debate alternativo também poderá ser realizado com o intuito de agregar conhecimentos e interagir com a comunidade local:
a)     Do que trata a música “Canto Alegretense”?
b)     A letra da música remete o nosso cotidiano? Por quê?
c)      Qual a mensagem da música?
d)     Qual na sua opinião é a posição do autor em relação aos nossos costumes?
e)     A letra musical retrata verdadeiramente os nossos costumes como eles são?
Canto Alegretense
Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão
Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã
Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy
E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

ATIVIDADE: Hipermídia
      Será realizada juntamente com o auxílio de um note-book para leituras não lineares (hipertextos) através de sites na internet. As buscas serão de acordo com o interesse da comunidade. Esta atividade será oferecida para a comunidade rural em paralelo à leitura de textos impressos (lineares) para que seja explicada e especificado a diferença entre os dois textos para posteriormente um melhor entendimento do uso das mídias.  Também, será construído um blog para postar as produções realizadas.

ATIVIDADE: Fantoches – Teatro
Após a audição da Lenda “A Salamanca do Jarau”, de João Simões Lopes Neto, as crianças serão convidadas a ampliar as pesquisas sobre o tema. Feito isso, será oportunizado um espaço para que o grupo componha uma releitura da lenda, expressando-a através de uma dramatizaçlão a partir de fantoches por eles confeccionados.
Material bibliográfico sobre a lenda pode ser encontrado para pesquisa em http://www.clubedasombra.com.br/salamanca/justificativa.htm


8)     CRONOGRAMA


Etapas/2011

Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Adesão a projetos de financiamento na área da cultura e educação
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Organização do espaço da biblioteca itinerante

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Contato inicial com as escolas para levantamento das necessidades apresentadas
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Planejamento das atividades

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Sensibilização da comunidade à bibliodiversidade

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Campanha de arrecadação de livros, revistas, jornais e materiais multímidia
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Catalogação dos materiais recebidos
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Etiquetação dos materiais
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Visitas às escolas (mensais)

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Avaliação e aceitabilidade do projeto junto à comunidade








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Culminância: exposição de trabalhos









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9)     FUNDAMENTAÇÃO
A comunicação para o homem é uma conquista social, na medida em que é através desta que ele constrói muito de sua cultura e transmite-a para seus descendentes.
O desenvolvimento cognitivo, psico-afetivo e social da criança está fortemente fundado na linguagem e no uso de uma língua. É pela linguagem que a criança vai construir conceitos sobre o mundo, agindo e reagindo neste mundo e interagindo com as pessoas. Segundo Vygotsky (apud OLIVEIRA, 2006), o pensamento e a linguagem têm origens diferentes e desenvolve-se por trajetórias diferentes e independentes. Quando pensamento e linguagem se unem na palavra, o pensamento se torna verbal e a linguagem racional.
O percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem e inicia-se uma nova forma de funcionamento psicológico: fala torna-se intelectual, como função simbólica, generalizante, e o pensamento torna-se verbal, mediados por significados dados pela linguagem. (OLIVEIRA, 2006, 47)
Assim, a linguagem é meio pelo qual o sujeito passa da condição de ser biológico para a condição de ser psicológico e social. Portanto, entende-se a inquestionável importância da linguagem como instrumento de mediação indispensável ao pensamento e planejamento das ações, instâncias estas que podem e devem ser potencializadas quando da implementação de práticas mediadoras de leitura planejadas com o objetivo de proporcionar a formação de um indivíduo ativo, participativo e consciente de sua cidadania.
A própria aprendizagem é um processo intimamente relacionado à linguagem e ao pensamento. Fazendo inferência sobre a teoria vygotskiana, pode-se afirmar que a socialização origina inteligência, na medida em que toda a função neurológica superior se inicia no plano interpessoal e, através da linguagem, e da interação social, passa para o plano intrapessoal. (VYGOTSKY, 1993)
Para garantir o desenvolvimento da linguagem e com ele o processo intelectual e cognitivo, visando a construção da uma cidadania consciente, libertária e emancipada, é necessário lançar mão de propostas que os alunos do campo não encontram no entorno familiar e social que os circundam.
Uma proposta pedagógica diferenciada que se fundamente em pressupostos tais como comprometimento sério e responsável por parte das educadoras, e com o propósito de implementar práticas de mediação leitora, estará embasada em convicções  as quais compreendam o aluno do campo como um ser histórico-social que deva estar inserido na comunidade que o circunda, vivenciando apropriadamente sua formação como ser completo.
Para tanto, o espaço físico da educação deve vivenciar uma descentralização pautada por princípios essenciais como a promoção da convivência social dos alunos, tendo esta um papel fundamental na formação da personalidade da criança do campo, assim como também, urge problematizar e questionar a formação crítico-reflexiva do cidadão, e desta forma, atentar para sua emancipação.
            Quando se observam os assustadores e alarmantes números do pouco contato que o brasileiro tem com a produção cultural em geral, se faz urgente redimensionar as propostas de intervenção pedagógica como fator decisivo para a plausível transformação tão desejada nos objetivos de toda educação libertária e emancipadora, a fim de oferecer uma gama maior de obras para que os alunos ampliem sua visão de mundo.
Esta situação é reflexo da crise que vive o sistema educacional brasileiro, e a proposta de mediações de leitura traz em si inúmeros desafios e barreiras a serem vencidas, desde o ponto de vista político, filosófico, sócio-antropológico. Nesse sentido, os educadores devem construir uma caminhada rumo à necessária crítica reflexiva, na busca de aportes conceituais e teóricos que fundamentem uma prática pedagógica que garanta a construção de um paradigma realmente inclusivo. Compreende-se que o processo idealizado pelo grupo, poderá potencializar de forma significativa, a caminhada por um Brasil mais justo, com menos distâncias não só tempo - espaciais, mas sim, e sobretudo, diminuindo as gritantes diferenças entre o homem da cidade e o homem do campo.
Negligenciar aspectos contundentes como por exemplo, o isolamento promovido pelas instâncias típicas da educação do campo, a saber, falta de contato com os avanços tecnológicos aplicados à educação, distanciamento com o progresso cultural do país, poderá desencadear a construção deficitária de uma práxis educacional que terá como resultado a iminente situação de formar alunos que podem estar trabalhando muito aquém de suas potencialidades.
Tal preocupação se deve ao fato de que, para que o sujeito se aproprie de conhecimentos que potencializem suas capacidades, é de crucial relevância o papel da linguagem, sob pena de que no futuro possa se instaurar um quadro de Oligotimia Social.
De acordo com Carvalho (2008), o conceito de oligotimia foi originalmente forjado por Pichon Riviére, e remete à situação de pessoas com desenvolvimento emocional insuficiente, sem nenhum sinal aparente de deficiência, mas que apresentam um retardo devido a carências afetivas sofridas na primeira infância. Ampliando a idéia, Paín (1992) define a oligotimia social como sendo uma instância “que produz sujeitos cuja atividade cognitiva pobre, mecânica e passiva, se desenvolve muito aquém daquilo que lhe é estruturalmente possível.” (ibidem, 12-13). Dito de outra forma, a oligotimia social seria um processo cognitivo, que por fatores multicausais, predominantemente exógenos e de caráter psicoafetivo, não evolui, não avança, gerando a impossibilidade de apropriar-se dos códigos sociais e culturais, ou seja, um problema de aprendizagem.
            Entretanto, cabe ressaltar que dentro do âmbito educacional, as possibilidades de realizar as tão desejadas práticas pedagógicas mediadoras do conhecimento, abrem um leque imenso de atividades que cumpram com tal função.
            Dentro das possibilidades surgem as modalidades de ensino que permitem a implantação de novos e exeqüíveis projetos de educação inclusiva. São serviços de apoio pedagógico que administram de forma eficiente e encurtam as distâncias, proporcionando interações sociais riquíssimas e significativas.
O ensino itinerante é uma das modalidades de apoio pedagógico que brindam a possibilidade de realizar e executar apropriadamente uma transformação justa e necessária condizente com as exigências atuais. Estas práticas de mediação trazem consigo as marcas de uma revolução dos ambientes escolares forjados historicamente. Revolução porque desde o momento que se deixa de lado a postura que reproduz ambientes tradicionais de construção do conhecimento, estar-se-á consolidar uma mudança nos paradigmas estanques que pairam na sociedade.
Nesta modalidade, segundo Pletsch e Glat (2009)
o papel que o professor itinerante pode desempenhar na construção de uma nova postura de todos os agentes escolares e extra-escolares em favor da inclusão educacional de pessoas com deficiência. Em outras palavras, (...) os professores itinerantes podem sim atuar como agentes de transformação escolar, na medida em que o seu trabalho fomenta, em graus variados, uma mobilização coletiva pró-inclusão. Este aspecto aponta para um dos princípios fundamentais da educação inclusiva, qual seja, favorecer mudanças nas práticas escolares, que vão desde o projeto político pedagógico, o currículo, a metodologia de ensino, a avaliação, até a mudança de atitudes e ações que favoreçam práticas heterogêneas. (op cit, 2009)

De acordo com as autoras, é possível deduzir que um serviço de biblioteca itinerante poderá apropriar-se desta modalidade com a finalidade de levar aos alunos do campo uma visão real e dinâmica e assim, transformar sua “leitura de mundo”. Para tanto, será necessário planejar por meio da ação-refleção-ação uma metodologia que abranja atividades contextualizadas, observadoras da realidade de cada rincão do município de Santana do Livramento, RS

10) REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Aprendizado e Desenvolvimento: num processo sócio-histórico. SP: Scipione, 2006

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto a, 1992.

PLETSCH,  Márcia Denise; GLAT,  Rosana. O ensino itinerante como suporte para a inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais na rede pública de ensino: uma abordagem etnográfica. Revista Ibero-americana de Educação, nº 41/2, de 10/01/07. Disponível em http://www.rieoei.org/experiencias139.htm , acessado em 21/06/2009.

TAILLE, Yves de la; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloysa. Teorias Psicogenéticas em discussão. São Paulo: SUMMUS, 1992.

VYGOTSKY,L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991

___________ Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.