galhos raízes

galhos raízes

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Três verbos existem que, bem conjugados, serão lâmpadas luminosas em nosso caminho: aprender, servir e cooperar.
Três atitudes exigem muita atenção: analisar, reprovar e reclamar.
De três normas de conduta jamais nos arrependeremos:
auxiliar com a intenção do bem, silenciar, e pronunciar frases de bondade e estímulo.
Três diretrizes manter-nos-ão, invariavelmente, em rumo certo: ajudar sem distinção, esquecer todo mal e trabalhar sempre.
Três posições devemos evitar em todas as circunstâncias:
maldizer, condenar e destruir.
Possuímos três valores que, depois de perdidos, jamais serão recuperados: a hora que passa, a oportunidade e a palavra falada.
Que o Senhor nos ajude, pois, em nossas necessidades, a seguir sempre três abençoadas regras de salvação:
* Corrigir em nós o que nos desagrada em outras pessoas.
* Amparar-nos mutuamente
* Amar-nos uns aos outros
[Chico Xavier]

domingo, 16 de outubro de 2011



Não sei... 
Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que
vivemos tem sentido, se
não tocamos o
coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita,
Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove. 

E isso não é coisa de outro
mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja nem curta,
Nem longa demais,
Mas que seja intensa,
Verdadeira, pura...
Enquanto durar


CORA CORALINA
(sugestão de uma querida amiga)

sábado, 15 de outubro de 2011




VULGÍVAGA
         Manuel Bandeira 

 
Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!

Não sei entre que astutos dedos
Deixei a rosa da inocência.
Antes da minha pubescência
Sabia todos os segredos...

Fui de um... Fui de outro... Este era médico...
Um, poeta... Outro, nem sei mais!
Tive em meu leito enciclopédico
Todas as artes liberais.

Aos velhos dou o meu engulho.
Aos férvidos, o que os esfrie.
A artistas, a coquetterie
Que inspira... E aos tímidos 
 o orgulho.

Estes, caço-os e depeno-os:
A canga fez-se para o boi...
Meu claro ventre nunca foi
De sonhadores e de ingênuos!

E todavia se o primeiro
Que encontro, fere toda a lira,
Amanso. Tudo se me tira.
Dou tudo. E mesmo... dou dinheiro...

Se bate, então como estremeço!
Oh, a volúpia da pancada!
Dar-me entre lágrimas, quebrada
Do seu colérico arremesso...

E o cio atroz se me não leva
A valhacoutos de canalhas,
É porque temo pela treva
O fio fino das navalhas...

Não posso crer que se conceba
Do amor senão o gozo físico!
O meu amante morreu bêbado,
E meu marido morreu tísico!
(sugestão de um querido amigo) 

terça-feira, 11 de outubro de 2011

DIÁLOGOS - II

- É possível ser feliz?

- "A felicidade não é para os covardes". Coragem é ser criativo, é ser poético, é se arriscar a acreditar na felicidade. É não ter medo da dor, não se fragilizar com a fragilidade, é não ter medo, da fantasia, da poesia, do anacrônico, do diferente. Felicidade é silêncio


segunda-feira, 10 de outubro de 2011

DIÁLOGOS

- Dá pra viver sem poesia?


- Até dá, mas a vida fica sem brilho...fica mixuruca. 
Bom mesmo é comer mexerica, 
fazer flor de chita, 
dar beijo em criança bonita
é mexericar o pensamento, 
palavrear o tempo, 
andar ao relento
sentir cheiro de fermento
fazendo a gente crescer


domingo, 29 de maio de 2011

Destinos do tempo (quando é bom, a gente copia)


Gostaria de entender,
Adoraria compreender
porque tão ásperas vozes
porque tão suaves tormentos...
Quais propósitos guardas
tão audazmente?

Oh destino...
quanta tolice querer desvendar-te
se hás de vir tão docemente
pois que o transcorrer 
dos dias, dos o andar dos meses,
o passar dos anos sejam
como delicados zéfiros que refresquem o devir....

Assim,
que eu possa entender e compreender
que todo teu esplendor se deleita
na minha aceitação e a gratidão pela dádiva da vida!
(ximena dutrenit, 2011)


 

estranhamentos

yo no se donde soy
yo no se donde estoy
mi casa está en la frontera
las fronteras se mueven como las banderas

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Ressonância Schumann

Batuva, Livramento. by Lins
Não apenas as pessoas mais idosas, mas também as jovens passam pela experiência de que tudo está se acelerando excessivamente. Ontem foi Carnaval, dentro de pouco será Páscoa, mais um pouco, Natal. Esse sentimento é ilusório ou tem base real?
Pela ressonância Schumann, se procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou em 1952 que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (dai chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7,83 pulsações por segundo.
Funciona como uma espécie de marca-passo, responsável pelo equilíbrio da biosfera, condição comum de todas as formas de vida. Verificou-se também que todos os vertebrados e o nosso cérebro são dotados da mesma freqüência de 7,83 hertz.
Por vários anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida se desenrolava em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz . Ao invés de 24h, o dia tem 16h .
O coração da Terra disparou. Coincidentemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está passando rápido demais não é ilusória,mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.
Gaia, esse super-organismo vivo que é a Mãe Terra, deverá estar buscando formas de retornar a seu equilíbrio natural. E vai consegui-lo, mas não sabemos a que preço, a ser pago pela biosfera e pelos seres humanos. Aqui abre-se espaço para grupos esotéricos e outros futuristas projetarem cenários, ora dramáticos, com catástrofes terríveis, ora esperançosos, como a irrupção da quarta dimensão, pela qual todos seremos mais intuitivos, mais espirituais e mais sintonizados com o biorritmo da Terra.
A tese recorrente entre grandes cientistas e biólogos é de que a Terra, efetivamente, é um super-organismo vivo, de que Terra e humanidade foram feitos para estar sempre em harmonia, como os astronautas testemunham de suas naves espaciais. Nós, seres humanos, precisamos da Terra que nossa casa é, que amamos. Porque? Segundo a teoria de Schumann, possuímos a mesma natureza bioelétrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.
Autor: Leonardo Boff

segunda-feira, 16 de maio de 2011

o símbolo oculto no domínio dos medos e desejos

tenha medo das serpentes...
elas ocultam o grande poder do conhecimento, da liberdade e da cura
tenha medo das serpentes, guardiãs do oculto que há em nós...
em seus olhos há domínio e servidão
dos incautos que a temem e tentam persuadir...
não se deixe tentar pelo desejo de destruí-la
tua ira potencializa seu veneno
antes, cure-se, absorvendo pequenas doses de sua sabedoria

quinta-feira, 5 de maio de 2011

VESGO

o meu olhar é vesgo
vê tudo de revesgueio
o mundo vem de viés
no reverso do revés
é torto tudo que vejo

o teu olhar é o visgo
gruda no meu pelo meio
vira ao avesso e atravessa
pondo-me assim às avessas
dispõe de mim por inteiro

vice-versa marcha à ré
no andar do caranguejo
no desmantêlo do revertério
vou ao encontro do que desejo

vira o vento contra a maré
gira o tempo num contra-pé
sendo o inverso do que vês
desinvento o anverso e ao invés
eu vou do fim ao começo

o meu olhar é vesgo . . .

carlos patrício
poeta e compositor gaúcho

Narciso, por Il Caravaggio (1571-1610) 

domingo, 1 de maio de 2011

Ecos

É no oco da concha
Que escuto o som da alma
O mistério que vela as verdades
Preenchidas apenas pela imagem do que se espera
Ouço o eco da alma
Que percorre o eterno tempo
Obsoleto para a casca
Perene como uma lembrança
Desejante de um existir belo e valioso
A espera de ser desvelado

DARKNESS FALL

NO MORE BETTER THAN THIS

terça-feira, 19 de abril de 2011

Dia bom depois de ontem

Bom dia 
Dia frio
Frio de outono
Outono cinza
Cinza renascendo
Renascendo com o sol
Sol que aquece
Aquece e anima
Anima os olhos
Olhos que olham tudo
Tudo que vale a pena
E viva o verde!!!

segunda-feira, 18 de abril de 2011

o espaço de um ex-passo

Se viver é bom
quero esquecer coisas que não sabia que perdi
Se viver é intenso
começo a lembrar coisas que quero esquecer
Se o amor é a medida de todas as coisas
busco a poesia para significar a existência
do que é meu
do que é não meu
me agarrar ao passado como baliza
negar o futuro sem tua presença
nos sonhos o universo paralelo dos desejos silenciados pelo medo,
orgulho ou egoísmo
minha alma chora saudade
meu silêncio grita pra não ser escutado
e meus olhos cegam pra não ver
o belo e incômodo ser

domingo, 10 de abril de 2011

O OCASO DOS SONHOS

Que bom seria se o outono levasse embora não só o calor e as folhas...
Que bom seria se jogasse fora a sensação de abandono que os sonhos não realizados provocam


Que bom seria se sonhos velhos fossem esquecidos
Descobertas veladas e não-esquecidas substituídas por desejos ainda não desejados.


Que bom será se o luto das folhas caídas trouxer de volta o necessário recolhimento
Aquele que alimenta o olhar contemplativo e desejante do futuro
Na busca de palavras que atribuam significado a essa ausência tão presente dos desejos não confessos


E não se trata de um ocaso apenas
Posto não ser um fim absoluto, contudo um fim com promessas, com tudo


POR DE SOL ESPINILHO II - S. LIVRAMENTO -RSCrédito da foto: POR DE SOL ESPINILHO II - S. LIVRAMENTO por Marcírio D. Leite

sábado, 2 de abril de 2011

pano e vino

o pão é um dos alimentos mais antigos
é símbolo de união e partilha
em cada pedaço de pão comemos milênios de história

usado para conter os desagravos da população
em políticas de estado perversas
alimento de todos que virou moeda
e virou moda
e ficou chique

e sempre foi bom...

PROMESSAS...

Algumas taças de vinho na noite anterior...
Uma boa noite de sono...
Duas poções generosas de café...
Uma profusão de idéias e complementos...
O desejo de um bom papo e uma boa companhia...

Estamos prontos então

quarta-feira, 30 de março de 2011

A LÓGICA DO ORDINÁRIO

Não é o óbvio em si que me espanta
É tão somente a surpresa de que o novo é objetado
A mudança rejeitada
E um primitivismo travestido de inovador circunda escolhas e relações.
É a crença de que o óbvio não é mediano, limítrofe, ocioso.
É haver tão pouco espaço para o diferente na possibilidade humana
É não haver desafios a uma lógica tão pouco surpreendente
É a pretensão de manter um frágil equilíbrio sustentado no conhecido
Gostaria que as pessoas olhassem para o mundo com mais reticências

terça-feira, 29 de março de 2011

O Estranho em mim

Me reconheço no meu outro
Estranho e bizarro
Me completo no espelho que o outro me faz
Tudo que me é estranho me fascina
Por que é meu e me falta
E é pelo olho desse outro que me reconheço
Estranho e bizarro
Pertencente de mim mesma

sexta-feira, 25 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

22 de março - DIA MUNDIAL DA ÁGUA

A causa principal deriva do modo como costumamos tratar  a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrario, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Leonarod Boff. "O preço de não escutarmos a natureza"

segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia Internacional contra a Discriminação Racial - VIVA A DIFERENÇA!!!

O Sal da Terra

Beto Guedes/Ronaldo Bastos

Anda!
Quero te dizer nenhum segredo
Falo nesse chão, da nossa casa
Bem que tá na hora de arrumar...
Tempo!
Quero viver mais duzentos anos
Quero não ferir meu semelhante
Nem por isso quero me ferir
Vamos precisar de todo mundo
Prá banir do mundo a opressão
Para construir a vida nova
Vamos precisar de muito amor
A felicidade mora ao lado
E quem não é tolo pode ver...
A paz na Terra, amor
O pé na terra
A paz na Terra, amor
O sal da...
Terra!
És o mais bonito dos planetas
Tão te maltratando por dinheiro
Tu que és a nave nossa irmã
Canta!
Leva tua vida em harmonia
E nos alimenta com seus frutos
Tu que és do homem, a maçã...
Vamos precisar de todo mundo
Um mais um é sempre mais que dois
Prá melhor juntar as nossas forças
É só repartir melhor o pão
Recriar o paraíso agora
Para merecer quem vem depois...
Deixa nascer, o amor
Deixa fluir, o amor
Deixa crescer, o amor
Deixa viver, o amor
O sal da terra




domingo, 20 de março de 2011

"Somos constantemente convidados a excluir 
a sedução proveniente do exterior."
G. Perlin

            le huitieme jour

terça-feira, 8 de março de 2011

L'Abandon

Tem sempre presente, que a pele se enrruga, que o cabelo se torna branco, que os dias se convertem em anos, mas o mais importante não muda !Tua força interior e tuas convicções não tem idade.Teu espírito é o espanador de qualquer teia de aranha.Atrás de cada linha de chegada, há uma de partida.Atrás de cada trunfo, há outro desafio.Enquanto estiveres vivo, sente-te vivo.Se sentes saudades do que fazias, torna a fazê-lo.Não vivas de fotografias amareladas.Continua, a pesar de todos esperarem que abandones.Não deixes que se enferruje o ferro que há em você.Faz com que em lugar de pena, te respeitem.Quando pelos anos não consigas correr, trota.Quando não possas trotar, caminha.Quando não possas caminhar, usa bengala.Mas nunca te detenhas !!!
Camile Claudel

segunda-feira, 7 de março de 2011

MULHERES DA HISTÓRIA


"Todo ser humano do sexo feminino não é, portanto, necessariamente mulher; cumpre-lhe participar dessa realidade misteriosa e ameaçada que é a feminilidade. Será esta secretada pelos ovários? Ou estará congelada no fundo de um céu platônico? E bastará uma saia ruge-ruge para fazê-la descer à terra? Embora certas mulheres se esforcem por encarná-lo, o modelo nunca foi registrado." Simone de Beauvoir, "O Segundo Sexo"

domingo, 6 de março de 2011

MULHRES NA LITERATURA

Gostaria de voar numa vassoura e dançar com outras bruxas pagãs no bosque à luz do luar, invocando as forças da Terra e afugentando demónios, quero converter-me numa velha sábia, aprender antigos encantamentos e segredos de curandeiros. Não é pouco o que eu pretendo. As feiticeiras, tal como os santos, são estrelas solitárias que brilham com luz própria, não dependem de nada nem de ninguém, por isso carecem de medo e de lançar-se cegas no abismo com a certeza de que em vez de se destruírem sairão a voar. Podem converter-se em pássaros para ver o mundo de cima ou vermes para vê-lo por dentro, podem habitar noutras dimensões e viajar para outras galáxias, são navegantes num oceano infinito de consciência e conhecimento.”
Isabel Allende
“Paula”

MULHERES NA HISTÓRIA

Admiráveis, inesquecíveis...

CORA CORALINA
Não sei... se a vida é curta... 
Não sei... 
Não sei... 
se a vida é curta 
ou longa demais para nós. 
Mas sei que nada do que vivemos 
tem sentido, 
se não tocarmos o coração das pessoas. 
Muitas vezes basta ser: 
colo que acolhe, 
braço que envolve, 
palavra que conforta, 
silêncio que respeita, 
alegria que contagia, 
lágrima que corre, 
olhar que sacia, 
amor que promove. 
E isso não é coisa de outro mundo: 
é o que dá sentido à vida. 
É o que faz com que ela 
não seja nem curta, 
nem longa demais, 
mas que seja intensa, 
verdadeira e pura... 
enquanto durar.
Sou mulher
que mistério é esse?
que encanto desperto?
que cuidados necessito?
que história marcada por tantas perdas e desafogos?
que vitórias entrego ao futuro?

ser mulher hoje é mais que nada um privilégio, afinal, estamos aprendendo a dizer não
Não a tudo que não nos serve, a tudo que não concordamos

celebro todos os dias minha condição feminina, incompleta, resoluta e desejante,
serena e contemplativa

Não quero muito do mundo, nem do parceiro
Só respeito, valorização e afeto
Ah...e de vez em quando um pouco de flores

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

















BIBLIOTECA MULTIMÍDIA ITINERANTE NA CONSTRUÇÃO DA LEITURA













Danielli Severo
Eni Araújo
Jane Maira Pacheco
Myrta Kras
Ximena Dergam








Santana do Livramento, janeiro de 2011


1)     TEMA
BIBLIOTECA MULTIMÍDIA ITINERANTE NA CONSTRUÇÃO DA LEITURA

2)     PROBLEMA
A pouca acessibilidade às fontes de leitura nas comunidades escolares de Zona Rural do Município de Santana do Livramento

3)     JUSTIFICATIVA
- ultrapassar as fronteiras do espaço tradicional das bibliotecas
- promover a contextualização cultural
- superação das barreiras atitudinais
- transformar conceitos que conduzam a implementação e ampliação da visão sob diferentes formas de aceder à leitura
- ambiente da biblioteca mais dinâmico e diversificação das atividades
- entender a biblioteca como um bem de produção cultural

4)     OBJETIVO GERAL
Favorecer o processo de construção da leitura na bibliodiversidade

5)     OBJETIVOS ESPECÍFICOS
- Sensibilizar as comunidades escolares sobre a bibliodiversidade
- Desenvolver as quatro habilidades lingüísticas (ouvir, falar, ler e  escrever)
- Incentivar a leitura de mundo
- Propiciar o acesso à cidadania por meio da Educação e Cultura
- Proporcionar vivências por meio das diferentes linguagens

6)     MATERIAL
Ônibus customizado para atender ao propósito do projeto
Livros
Fichário de Planejamento de Atividades
Aparelho de DVD
Data-show e telão
Aparelho de som
Videoteca
Pinacoteca
Discoteca
Note-book com acesso à internet
Fantasias
Filmadora
Material Escolar (folhas, lápis de cor, tinta, massa de modelar, tesoura, cola, argila, etc)
Combustível
Material Jornalístico impresso
Almofadas
Tapete



7)     METODOLOGIA

7.1 Público alvo
Comunidades Escolares da Zona Rural do Município de Santana do Livramento

7.2 Local
Espaço físico das escolas e dependências do veículo-biblioteca

7.3 Desenvolvimento

            O projeto “Biblioteca Multimídia Itinerante na Construção da Leitura” tem uma abordagem ampla e interdisciplinar, caracterizando-se por ser um mediador da leitura e do conhecimento para as pessoas que moram na zona rural da cidade de Santana do Livramento. Os envolvidos buscam o processo de elaboração e implementação das características oferecidas pelo projeto, bem como a inserção de atividades lúdicas e complementares para a comunidade da zona rural.
            A Biblioteca Itinerante e multifuncional favorece o acesso de todos à bens culturais, envolvendo os sujeitos através da afetividade e do entretenimento. A leitura promove um conhecimento de mundo, das pessoas e da comunidade, valendo-se do uso das mais variadas tecnologias, quais sejam: a televisão, o vídeo, o DVD, o note-book, entre tantas outras ferramentas educacionais e tecnológicas.
            Para a execução deste projeto, será necessário que o grupo de trabalho busque junto aos órgãos públicos a adesão à projetos de financiamento na área da cultura e da educação, a fim de obter recursos financeiros para a compra de materiais e adaptação do veículo a serem usados nas atividades itinerantes.
            Após este primeiro passo, o grupo de trabalho deverá constituir-se com profissionais com formação inicial e/ou continuada nas áreas da pedagogia, biblioteconomia, informática e arte-educação, com a finalidade de enriquecer a proposta de intervenção. Esta resolução faz-se necessária para que os planos de trabalho estejam de acordo com a idéia da dinamicidade e da interdisciplinaridade que faz juz ao conceito da construção da leitura mediada na bibliodiversidade.
As atividades serão planejadas obedecendo a tais princípios, e para tanto serão propostos trabalhos integrados e contextualizados a realidade dos sujeitos, mas também, ampliando a visão de mundo e ultrapassando as fronteiras dos saberes constituídos.
Uma sugestão de práticas mediadoras seria organizar visitas mensais, onde uma temática geral seria abordada em um eixo paradigmático, nas diferentes expressões culturais. Seriam propostos temas tais como o homem do campo, o homem da cidade, o homem clássico, o homem contemporâneo, etc, que tenham sido representados nas diferentes manifestações culturais através dos tempos (arte visual, música, arte dramática, literatura e novos códigos de linguagem tecnológica).
As visitas contariam com um tempo aproximado de 4 horas, distribuídas sob a forma de oficinas, orientadas por cinco mediadores.
Ao término de cada trabalho realizado nas diferentes escolas será proposta uma mini-exposição dos trabalhos realizados, momento em que a equipe poderá realizar uma avaliação da visita, a partir dos relatos dos participantes e das considerações dos professores da escola.
Um dos resultados esperados pelas mediadoras é a criação de um vínculo que permita a comunicação por escrito – seja por meio virtual ou via cartas, de modo a ampliar o processo de leitura e escrita, entre os alunos e mediadores.
A culminância prevê a realização de uma grande feira, com a presença de todos os alunos e a exposição dos trabalhos e o registro dos melhores momentos vivenciados.


7.4 Descrição de atividades

ATIVIDADE: NARRATIVAS DE CENAS
·  A partir de cenas escolhidas de revistas, os alunos devem realizar uma observação;
·  Como seguimento, deverão descrever onde está acontecendo a cena;
·  Quando está acontecendo a cena;
·  Quais são os personagens;
·  Logo, serão convidados a imaginar o que está acontecendo na cena e terão que inventar um final para a mesma;
·  Para finalizar a atividade, devem realizar um texto sobre o assunto.
ATIVIDADE: Criando um vínculo amoroso com os livros
- Através de um contato oralmente dirigido pelo mediador, levar os alunos a criarem um vínculo afetivo com os livros.
- Primeiramente, os  alunos são convidados a escolherem um livro na estante e voltar ao seu lugar com o mesmo.
- A seguir, devem observar o livro escolhido, suas características físicas (textura, cores, cheiros, peso, etc)
- Os alunos então serão convidados a manifestar carinho pelo livro, abraçando-o e acariciando-o.
- O passo seguinte é a estimulação visual, onde os alunos são orientados a folhear os livros e observar todos os detalhes existentes.
Após haver sido criado o vínculo afetivo com o livro, os alunos deverão fazer a leitura silenciosa do livro, para então fazerem um relato oral de quais sentimentos e pensamentos o livro lhe transmitiu.

ATIVIDADE: Almofada dos sentimentos
- Sentados em círculo, os alunos terão a sua disposição almofadas que caracterizam diversos sentimentos – medo, raiva, alegria, tristeza, susto, etc.
- O mediador orienta os alunos a pensar em qual das almofadas gostaria de pegar para representar o motivo que o levou a manifestar aquele sentimento.
- Cada aluno com uma almofada em suas mãos faz o seu relato para o grupo
- Por fim, os alunos devem fazer uma representação – por meio de desenho ou texto – a experiência vivenciada.


ATIVIDADE: MEU NOME, MEU RETRATO
-         Apresentar o poema “Meu nome, meu retrato”, de Ziraldo
-         Cada aluno apresenta o nome e o sobrenome
-         Interpretação do texto
-         Por que o poeta diz que a letra A se chama André, e que também poderia chamar-se Antônio, Alex...?
-         Pedir para que os alunos citem outros nomes com a letra B, e outras letras do alfabeto.
-         Ao Solicitar aos alunos que indiquem nomes de animais, alimentos, objetos com as letras trabalhadas.
-         A mediadora distribui aleatoriamente fichas com nomes diversos de pessoas, animais, alimentos ou objetos. A seguir, canta o nome de uma letra e os alunos devem identificar se esta letra aparece na inicial de alguma de suas fichas.

ATIVIDADE: Contextualização dos problemas ambientais
DESENVOLVIMENTO
As mediadoras apresentam uma notícia impressa que traga informações sobre algum desastre natural recentemente ocorrido.
A seguir, monta-se um banco de palavras com a turma, onde acrescenta-se alguns termos previamente estabelecidos, tais como aquecimento global, desastre ambiental, ciclone, enchentes, queimadas, etc, sendo trabalhado oralmente com a turma o significado de cada um.
Com base nestes conceitos, as estagiárias propõem atividades de leitura e escrita, tais como caça-palavras, cruzadas, etc.

ATIVIDADE: Filme A Era do Gelo
DESENVOLVIMENTO:
-         As crianças assistirão ao filme “A Era do Gelo II”.
-         Junto ao grande grupo, se problematiza o seguinte:
1)     Quais os problemas enfrentados pelos personagens da história para garantir sua sobrevivência? (os alunos farão seus comentários verbalmente);
2)      As mediadoras farão a mediação dos comentários, contextualizando-os e conceituando as opiniões dos alunos;
3)     Após os comentários, lança-se um segundo questionamento: De que forma o aquecimento global repercute em nossa sobrevivência?
4)     A turma se dividirá em grupos menores com a finalidade de desenvolver a seguinte tarefa: dramatizar uma situação do problema levantado, podendo cada grupo definir uma abordagem diferente dentro da temática proposta.

ATIVIDADE: Fábula “O Leão e o Rato”

DESENVOLVIMENTO

- Apresentar a fábula “O Leão e o Rato” ao grande grupo.
- Conversar sobre o significado de uma fábula.
- Realizar a leitura do mesmo.
- Interpretar de forma organizada e coletiva o texto.
- Lançar questões, como por exemplo, “o que fazia o ratinho enquanto o leão dormia?”, “o que o ratinho demonstrou ao gritar: - Perdão, rei dos animais.”
- Questionar o que eles, alunos, fariam no lugar do ratinho.
- Discutir com as crianças a moral da fábula, o ensinamento que ela deixa.
- Convidar as crianças para que elas representem pela expressão corporal, os momentos que mais gostaram da fábula.

ATIVIDADE: Leitura de histórias
Será feita a leitura de contos infantis para os alunos.  Dentre eles, histórias como “Cinderela”, “Branca de Neve e os sete anões”, “O Gato de Botas”, “Chapeuzinho Vermelho”, etc. A seguir, será proposto que as crianças criem intertextos, contextualizando para sua vivência, tendo como sugestões:
“A lenda do Primeiro Gaúcho, Saci Pererê, O Negrinho do Pastoreio,
A Chinoca, Branca de Neve e branca de geada e os sete piás, O gato de bombachas, Boininha Preta, 

ATIVIDADE: Música
Será realizada a atividade através da tecnologia som, com a música “Canto Alegretense”, da autoria de “Os Fagundes”.  A atividade proposta será a realização de uma paródia ou uma paráfrase, de acordo com a imaginação e criatividade de cada um. O dicionário também será usado a fim de auxiliar na escolha adequada das palavras bem como no uso correto das mesmas. Um debate alternativo também poderá ser realizado com o intuito de agregar conhecimentos e interagir com a comunidade local:
a)     Do que trata a música “Canto Alegretense”?
b)     A letra da música remete o nosso cotidiano? Por quê?
c)      Qual a mensagem da música?
d)     Qual na sua opinião é a posição do autor em relação aos nossos costumes?
e)     A letra musical retrata verdadeiramente os nossos costumes como eles são?
Canto Alegretense
Não me perguntes onde fica o Alegrete
Segue o rumo do teu próprio coração
Cruzarás pela estrada algum ginete
E ouvirás toque de gaita e violão
Prá quem chega de Rosário ao fim da tarde
Ou quem vem de Uruguaiana de manhã
Tem o sol como uma brasa que ainda arde
Mergulhado no Rio Ibirapuitã
Ouve o canto gauchesco e brasileiro
Desta terra que eu amei desde guri
Flor de tuna, camoatim de mel campeiro
Pedra moura das quebradas do Inhanduy
E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer
E nos olhos vou levar o encantamento
Desta terra que eu amei com devoção
Cada verso que eu componho é um pagamento
De uma dívida de amor e gratidão.

ATIVIDADE: Hipermídia
      Será realizada juntamente com o auxílio de um note-book para leituras não lineares (hipertextos) através de sites na internet. As buscas serão de acordo com o interesse da comunidade. Esta atividade será oferecida para a comunidade rural em paralelo à leitura de textos impressos (lineares) para que seja explicada e especificado a diferença entre os dois textos para posteriormente um melhor entendimento do uso das mídias.  Também, será construído um blog para postar as produções realizadas.

ATIVIDADE: Fantoches – Teatro
Após a audição da Lenda “A Salamanca do Jarau”, de João Simões Lopes Neto, as crianças serão convidadas a ampliar as pesquisas sobre o tema. Feito isso, será oportunizado um espaço para que o grupo componha uma releitura da lenda, expressando-a através de uma dramatizaçlão a partir de fantoches por eles confeccionados.
Material bibliográfico sobre a lenda pode ser encontrado para pesquisa em http://www.clubedasombra.com.br/salamanca/justificativa.htm


8)     CRONOGRAMA


Etapas/2011

Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Dez
Adesão a projetos de financiamento na área da cultura e educação
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Organização do espaço da biblioteca itinerante

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Contato inicial com as escolas para levantamento das necessidades apresentadas
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Planejamento das atividades

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Sensibilização da comunidade à bibliodiversidade

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Campanha de arrecadação de livros, revistas, jornais e materiais multímidia
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Catalogação dos materiais recebidos
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Etiquetação dos materiais
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Visitas às escolas (mensais)

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Avaliação e aceitabilidade do projeto junto à comunidade








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Culminância: exposição de trabalhos









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9)     FUNDAMENTAÇÃO
A comunicação para o homem é uma conquista social, na medida em que é através desta que ele constrói muito de sua cultura e transmite-a para seus descendentes.
O desenvolvimento cognitivo, psico-afetivo e social da criança está fortemente fundado na linguagem e no uso de uma língua. É pela linguagem que a criança vai construir conceitos sobre o mundo, agindo e reagindo neste mundo e interagindo com as pessoas. Segundo Vygotsky (apud OLIVEIRA, 2006), o pensamento e a linguagem têm origens diferentes e desenvolve-se por trajetórias diferentes e independentes. Quando pensamento e linguagem se unem na palavra, o pensamento se torna verbal e a linguagem racional.
O percurso do pensamento encontra-se com o da linguagem e inicia-se uma nova forma de funcionamento psicológico: fala torna-se intelectual, como função simbólica, generalizante, e o pensamento torna-se verbal, mediados por significados dados pela linguagem. (OLIVEIRA, 2006, 47)
Assim, a linguagem é meio pelo qual o sujeito passa da condição de ser biológico para a condição de ser psicológico e social. Portanto, entende-se a inquestionável importância da linguagem como instrumento de mediação indispensável ao pensamento e planejamento das ações, instâncias estas que podem e devem ser potencializadas quando da implementação de práticas mediadoras de leitura planejadas com o objetivo de proporcionar a formação de um indivíduo ativo, participativo e consciente de sua cidadania.
A própria aprendizagem é um processo intimamente relacionado à linguagem e ao pensamento. Fazendo inferência sobre a teoria vygotskiana, pode-se afirmar que a socialização origina inteligência, na medida em que toda a função neurológica superior se inicia no plano interpessoal e, através da linguagem, e da interação social, passa para o plano intrapessoal. (VYGOTSKY, 1993)
Para garantir o desenvolvimento da linguagem e com ele o processo intelectual e cognitivo, visando a construção da uma cidadania consciente, libertária e emancipada, é necessário lançar mão de propostas que os alunos do campo não encontram no entorno familiar e social que os circundam.
Uma proposta pedagógica diferenciada que se fundamente em pressupostos tais como comprometimento sério e responsável por parte das educadoras, e com o propósito de implementar práticas de mediação leitora, estará embasada em convicções  as quais compreendam o aluno do campo como um ser histórico-social que deva estar inserido na comunidade que o circunda, vivenciando apropriadamente sua formação como ser completo.
Para tanto, o espaço físico da educação deve vivenciar uma descentralização pautada por princípios essenciais como a promoção da convivência social dos alunos, tendo esta um papel fundamental na formação da personalidade da criança do campo, assim como também, urge problematizar e questionar a formação crítico-reflexiva do cidadão, e desta forma, atentar para sua emancipação.
            Quando se observam os assustadores e alarmantes números do pouco contato que o brasileiro tem com a produção cultural em geral, se faz urgente redimensionar as propostas de intervenção pedagógica como fator decisivo para a plausível transformação tão desejada nos objetivos de toda educação libertária e emancipadora, a fim de oferecer uma gama maior de obras para que os alunos ampliem sua visão de mundo.
Esta situação é reflexo da crise que vive o sistema educacional brasileiro, e a proposta de mediações de leitura traz em si inúmeros desafios e barreiras a serem vencidas, desde o ponto de vista político, filosófico, sócio-antropológico. Nesse sentido, os educadores devem construir uma caminhada rumo à necessária crítica reflexiva, na busca de aportes conceituais e teóricos que fundamentem uma prática pedagógica que garanta a construção de um paradigma realmente inclusivo. Compreende-se que o processo idealizado pelo grupo, poderá potencializar de forma significativa, a caminhada por um Brasil mais justo, com menos distâncias não só tempo - espaciais, mas sim, e sobretudo, diminuindo as gritantes diferenças entre o homem da cidade e o homem do campo.
Negligenciar aspectos contundentes como por exemplo, o isolamento promovido pelas instâncias típicas da educação do campo, a saber, falta de contato com os avanços tecnológicos aplicados à educação, distanciamento com o progresso cultural do país, poderá desencadear a construção deficitária de uma práxis educacional que terá como resultado a iminente situação de formar alunos que podem estar trabalhando muito aquém de suas potencialidades.
Tal preocupação se deve ao fato de que, para que o sujeito se aproprie de conhecimentos que potencializem suas capacidades, é de crucial relevância o papel da linguagem, sob pena de que no futuro possa se instaurar um quadro de Oligotimia Social.
De acordo com Carvalho (2008), o conceito de oligotimia foi originalmente forjado por Pichon Riviére, e remete à situação de pessoas com desenvolvimento emocional insuficiente, sem nenhum sinal aparente de deficiência, mas que apresentam um retardo devido a carências afetivas sofridas na primeira infância. Ampliando a idéia, Paín (1992) define a oligotimia social como sendo uma instância “que produz sujeitos cuja atividade cognitiva pobre, mecânica e passiva, se desenvolve muito aquém daquilo que lhe é estruturalmente possível.” (ibidem, 12-13). Dito de outra forma, a oligotimia social seria um processo cognitivo, que por fatores multicausais, predominantemente exógenos e de caráter psicoafetivo, não evolui, não avança, gerando a impossibilidade de apropriar-se dos códigos sociais e culturais, ou seja, um problema de aprendizagem.
            Entretanto, cabe ressaltar que dentro do âmbito educacional, as possibilidades de realizar as tão desejadas práticas pedagógicas mediadoras do conhecimento, abrem um leque imenso de atividades que cumpram com tal função.
            Dentro das possibilidades surgem as modalidades de ensino que permitem a implantação de novos e exeqüíveis projetos de educação inclusiva. São serviços de apoio pedagógico que administram de forma eficiente e encurtam as distâncias, proporcionando interações sociais riquíssimas e significativas.
O ensino itinerante é uma das modalidades de apoio pedagógico que brindam a possibilidade de realizar e executar apropriadamente uma transformação justa e necessária condizente com as exigências atuais. Estas práticas de mediação trazem consigo as marcas de uma revolução dos ambientes escolares forjados historicamente. Revolução porque desde o momento que se deixa de lado a postura que reproduz ambientes tradicionais de construção do conhecimento, estar-se-á consolidar uma mudança nos paradigmas estanques que pairam na sociedade.
Nesta modalidade, segundo Pletsch e Glat (2009)
o papel que o professor itinerante pode desempenhar na construção de uma nova postura de todos os agentes escolares e extra-escolares em favor da inclusão educacional de pessoas com deficiência. Em outras palavras, (...) os professores itinerantes podem sim atuar como agentes de transformação escolar, na medida em que o seu trabalho fomenta, em graus variados, uma mobilização coletiva pró-inclusão. Este aspecto aponta para um dos princípios fundamentais da educação inclusiva, qual seja, favorecer mudanças nas práticas escolares, que vão desde o projeto político pedagógico, o currículo, a metodologia de ensino, a avaliação, até a mudança de atitudes e ações que favoreçam práticas heterogêneas. (op cit, 2009)

De acordo com as autoras, é possível deduzir que um serviço de biblioteca itinerante poderá apropriar-se desta modalidade com a finalidade de levar aos alunos do campo uma visão real e dinâmica e assim, transformar sua “leitura de mundo”. Para tanto, será necessário planejar por meio da ação-refleção-ação uma metodologia que abranja atividades contextualizadas, observadoras da realidade de cada rincão do município de Santana do Livramento, RS

10) REFERÊNCIAS

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Aprendizado e Desenvolvimento: num processo sócio-histórico. SP: Scipione, 2006

PAÍN, Sara. Diagnóstico e tratamento dos problemas de aprendizagem. Porto a, 1992.

PLETSCH,  Márcia Denise; GLAT,  Rosana. O ensino itinerante como suporte para a inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais na rede pública de ensino: uma abordagem etnográfica. Revista Ibero-americana de Educação, nº 41/2, de 10/01/07. Disponível em http://www.rieoei.org/experiencias139.htm , acessado em 21/06/2009.

TAILLE, Yves de la; OLIVEIRA, Marta Kohl de; DANTAS, Heloysa. Teorias Psicogenéticas em discussão. São Paulo: SUMMUS, 1992.

VYGOTSKY,L. S. A Formação Social da Mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991

___________ Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1993.