galhos raízes

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sábado, 26 de julho de 2014

Um dia acordado no campo

Estou começando a entender o porquê do silêncio

Você já tentou ficar em silêncio? Parece nada Eu já tinha tentado, de muitas maneiras. E todas me ajudaram a chegar neste momento onde estou. Sim, você dirá. Dirá que o silêncio surge quando você está tão barulhento por fora, que precisa de um silenciador interno.
Acho que aí estão motivo de tantas e tanta as crianças hoje em dia virem com um comportamento tão barulhento, violento ou incomodamente barulhento. Alguns fazem birra, outros são agressivas, umas não falam outras, muito apáticas.
Acho que aí eu encontro uma explicação para as especificidades de tantas crianças, que nos desafiam. E nos criam a necessidade de rotular:
“-Ah, é autismo.” – dizem uns. Não, é Transtorno Desintegrativo da Infância. Não, esse é um conceito muito clínico, poucos vão entender (embora vão repetir). Então, vamos pelo comum mesmo. Vamos chamar de esquizofrênico afinal ele surtou na sala d aula).
Será que importa? Será que eu não perco tempo procurando o nome que deve dar “àquilo” que estou vendo? Será que não ganho mais tempo chamando de Pedro, João, Lucas ou Gabriel, e tendo entender como interagir de forma alegre, lúdica e saudável, com aquela criança? Será que não é mais produtivo, pra não dizer prazeiroso, eu tentar simplesmente oferecer momentos de alegria, aprendizado – da vida- apenas ouvindo e olhando para aquele sujeito?
O silêncio – meu – está me ajudando a ver e ouvir os meus barulhos. E assim, estou conseguindo ter Tempo de ver e ouvir o outro.
E a natureza está me ajudando a fazer isso. Observar o comportamento os pássaros, dos cães, da chuva, das plantas, das estações. Parar para estudar.

Hoje tenho podido observar os comportamentos de crianças de todos os tipos que já pude conhecer.
São amigos e amigas que vou conquistando ao longo do caminho. Que me ensinam a me movimentar em direção a elas, na tentativa de entender-me com elas, comunicar-me, com ela, sem qualquer outra intensão que não interagir com ela, sem a intenção de ensina-la algo. Até por que de repente ela saiba muito mais da vida do que eu. Minha intensão é tão somente ouvi-las, conhece-las, observa-las, mas sobretudo, viver com elas.
O que me leva a pensar que, se parte dos indivíduos vivos do nosso planetinha parece estar meio desiquilibrado – eu, você, a sociedade, o homem – de certa forma, o planeta vai estar uma parte doente também.
Tem cura essa doença?
Não sei...será que é doença? Ou um tipo torpe de despertar da consciência.
Afinal como diz minha sábia amiga Rose, podemos aprender pela dor ou pelo amor.
Se é assim, na Bobolândia eu estou tendo o privilégio de aprender através do amor. Tá, através da dor também. Mas pelo menos não tenho tido medo de sentir dor aqui.

Por que eu acho que Asperger e AH/SD podem ser tratadas do mesmo jeito?

Bom, primeiro que nenhuma das duas é doença para ser tratada.
Em segundo por que não tratamos dos outros, das outras pessoas. Apenas estamos junto com elas. Assim como estamos juntos uns dos outros, estamos junto dos animais, das plantas, da natureza.
Quer ver uma coisa?

Você já observou cachorros?
Eu, por exemplo tenho uma cadela com autismo, uma com TDAH, uma psicopata – agora acho que duas, um velho neurastênico que qualquer dia de certo vai ter Alzheimer.
Daí, como eu sou professora, ou fonoaudióloga, ou qualquer outra coisa que “la puta madre los pario!”, eu vou ter que tratar destes cães. Ou me auto intitulo (com hífen?) mãe destes animais.
Louca! Totalmente louca!
Por isso eu acho que você não tem que ter medo de ser ridículo, de inventar, de criar alternativas, de ser resiliente, aprender a conviver com o outro e consigo mesmo da melhor maneira possível.

Afinal, não se esqueçam: Se aprende ou pela dor ou pelo amor.

domingo, 20 de julho de 2014

Um dia esquecido no campo III


Fiz muita terapia na vida...a mais importante e mais intensa está sendo agora, aos 46 anos...quem me conhece por dentro deve estar sacando isso...

Acho que o que está sendo diferente desta vez é que estou em silêncio...e posso escutar o planeta, o mundo, eu mesma.

E posso sentir por exemplo, que a natureza vai entrar em mais um 'mini-ciclo" (é com hífen???) de mudanças.
Já é possível perceber o aroma do ar, dá pra sentir na pele se vai começar a esfriar ou esquentar; ver se a primavera já está dando seus primeiros sinais de chegada. É incrível!!!!o sol está mais claro, deixa a paisagem mais amarela. No inverno o verde era seco, contido. Hoje, árvores e folhagens em geral - o verde - se apresenta mais colorido.

Acho que o silêncio tem me permitido também ter tempo para pensar, inventar, caminhar, plantar, rir com as bagunças das minhas filhas peludas, cuidar de minha casa, cuidar de mim.

Estou construindo minha casa, e quero que tenha muita alegria, muita planta, muito bicho, muita criatividade, muito lugar pra ficar em silêncio, contemplando e agradecendo.

Ainda ontem assisti um documentário sobre a felicidades. Os argumentos eram de que para um sujeito ser feliz, ele deve buscar a vida comunitária, a solidariedade e fazer algo de que se gosta para os outros, fazer com amor.
Então tá...quem se habilita a compartilhar um pouco de alegria neste planetinha? Sabia que a tua alegria aumenta a minha? Espero que a minha produza o mesmo efeito em ti, camarad@!


terça-feira, 15 de julho de 2014

tá, eu nao mexi mais na horta...mas é por que eu viajei...

mas, logo, logo
novidades!!!!









site em construção!!!!!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

A HORTA -  fase 1

relato pessoal e, quiças, filosófico, da execução de uma horta no quintal de casa.

Fase 1: PROJETO

- QUERO FAZER UMA HORTA!

Fase 2: FAZER O PROJETO E PREPARAR A TERRA

aiai...como cansa

terça-feira, 8 de julho de 2014

Mais um dia esquecido no campo...

(Sim, eu não terminei o assunto)

Caminhando pelos caminhos da Bobolândia, descobri que o contato com a natureza, e, sobretudo, com o silêncio, me proporciona que eu vivencie o processo que eu estou chamando de "caminhada peripatética comigo mesma".
O trajeto é tão convidativo à contemplação e à reflexão, que tudo, tudo é motivo para reflexão. Diferentemente de Marius ou Jean Valjean, que em meio à miséria humana, descobrem - e acabam, ainda hoje, nos surpreendendo com o que parecia não ser possível mais de nos surpreender: o homem - não gênero nem raça, ou antes, o homem, da raça humana.
Não. Aqui se trata de um outro tipo de descoberta. Trata-se de não mais descobrir, mas reencontrar a beleza.
Não significa que eu esteja começando a compor aquele grupo de pretensos intelectuais, que não se surpreendem mais com nada, em dizer que "nada do que é humano me é estranho". 
Não. Aqui significa que o estranhamento é condição sine qua non (literalmente, sem o qual não) para fazer mover a mola da consciência.
Afinal, é preciso se estar disponível para ser afetado. 

A Bobolândia, com o que lhe é próprio - árvores, arbustos, vento, aves, chuva, lua, terra, enfim, os quatro elementos da natureza e seus agregados - tem me permitido construir este caminho, de auto-cura (com hífen?), perdão, e, por que não, felicidade.

Tá, não é aquela ideia de felicidade, do tipo burguesa, desejando o ter, nem aquela felicidade platônica, nem a poliânica, nem nada disso.
É um tipo de felicidade silenciosa, sem alarde, construída diariamente, a cada momento em que eu consigo perceber minha respiração, parar ao sol, tocar na terra.

Não acredita?
Ah, mas aposto que você sabia que o Brasil jogava hoje, e que perdeu o jogo...tá isso até eu sei também...

Então, o que te causa estranhamento?

domingo, 6 de julho de 2014

Um dia esquecido no campo...


Ontem tive tempo pra pensar...
Aliás, pensar não pede tempo, pede silêncio

Então tá, ontem tive silêncio pra pensar:

Que o universo nos presenteia com coisas boas, e nós recebemos a oportunidade de aprendermos a ser resilientes e capazes de lidar com as mudanças e perdas - or que pela Lei de Murphy a gente SEMPRE perde algo quando ganha algo - ou viceversa (tem hífen ou não tem hífen???)

Queres ver um exemplo?
Fiquei umas duas semanas com problemas técnicos na minha vida virtual.
Perdi dados do computador (todos).
Minha vida como que parou...

Ah, sim, essa não foi a parte do presente. A parte do presente foi a bobolândia.

Resultado:
Em tempos de copa do mundo tudo é matemático, tudo é estatística, não há tempo para a reflexão. Exige-se raciocínio lógico, memória, atenção - e sobretudo interesse pelo conteúdo.
Ah, não...dia de jogo o Brasil para (esse é sem acento)...não dá pra pensar. E vamos fazer festa!

Festa porque o Brasil ganhou, chorar por que o Neymar se machucou, por que o Suarez foi punido, festa por que o Brasil ganhou, piada com o Taffarel, piada com o Rubinho Barrichello, Festa por que o Brasil...
Ah, não se esqueça de fazer sua parte e queimar a Dilma na fogueira da inquisição, quer dizer, na fogueira da oposição, e não se esqueça de fazer a sua parte e salvar a Dilma da fogueira da inquisição, quer dizer, na fogueira da oposição...

Ou seja, ainda vivemos o paradigma "judaico-cristão-ocidental-burguês-branco-machista-homofóbico-excludente-e rótulos que não acabam mais". Tudo tem que ser punido, tudo tem quer ser definido, tudo tem que ser correto.

O que isso tem a ver com universo dando presentes e oportunidades de crescimento e desapego?

Tudo...por que foi o silêncio dos últimos dias - sem computador, e com mais tempo pra dormir :P - que me permitiu pensar, refletir, e mais - não pensar em nada - e perceber que tudo é uma questão de escolha, e de entendimento.
Eu escolho se quero ver a copa ou não...eu escolho se quero falar bem ou mal da Dilma, eu escolho, e por que escolho, sou responsável por isso. Sou responsável por me importar mais com a copa e "assuntos do momento" que a mídia nos impõe ou de me importar em ler ou ver outras coisas. É interesse pessoal, é escolha, é consciência, não importa.

Sempre há o que ver e ler e fazer...e se não, fica em silêncio...

sábado, 28 de junho de 2014


frontera más hermana del mundo?



eu não supunha que o futebol estivesse tão presente - ainda - no imaginário popular, sobretudo dos brasileiros e uruguayos, hermanos de la frontera más hermana del mundo. Nem tudo são flores amigos, e se eu tivesse que escolher entre ficar com flores ou com letras, neste momento, acho que escolheria a delicadeza, o silêncio e a beleza pacífica da natureza - que mesmo entre  tempestades, tsunamis, vulcões mantém uma beleza furiosa.
Por sorte tenho a escolha -  nesse caso - de não precisar escolher, hohoho. E viva a Bobolândia (em breve com heráldicaaaaaa)

terça-feira, 24 de junho de 2014

ARRIBA BRAZIL!!!!!

Se tem uma coisa que me incomoda na identidade brasileira é o pensamento mágico.
Tudo bem, quando se tem cinco anos de idade, pensar que a força do pensamento vai fazer com que seus desejos aconteçam (veja bem, não estou me referindo ao tomo mais profundo que é o fato de que, na minha opinião, criamos a realidade que queremos e pensamos. Não. Aqui, trata-se de algo mágico como acreditar que o nariz vai crescer se você for mentiroso. Esse faz-de-conta aparece diariamente, contado pela mídia da carochinha, aquela que inventa um mundo pra você ver...É a ideia de que as eleições se ganham ou se perdem como num jogo de futebol. É a crença de que um governo vai ser perfeito, é a ideia de que democracia é algo que se realiza no governo para uma maioria. Não. isso é totalitarismo -seja de esquerda ou de direita.
Gosto de pensar, contudo, que este pensamento mágico permite uma alegria e uma criatividade muito próprias da identidade do brasileiro. Mas nossa alteridade está marcada ainda por muita gente que se acha mais esperto que os outros. E dale música ruim...
Por isso mesmo, proponho uma avalanche de crescimento crítico, e este axioma simples: música ruim = ouvido ruim (e dança mesmo assim)
Então, Arriba, Brazil! e deixa que ganhe o o time que tiver que ganhar (tomara que seja a Celeste)

(Música Ruim - Jorge Hermann)

domingo, 22 de junho de 2014

A espera de um passado

Mais um caso para Hercule Poirot...

pois então...
Sumiu!

Em algum lugar está, mas se não o vejo ou não sei, não está.

O detetive belga usa de seu conhecimento sobre o humano para resolver os casos mais obtusos. Me pergunto se seus dotes mentais seriam e alguma validade para investigar o caso que tem me intrigado há certo tempo.
Refiro-me à ausência da ética. A obviedade de olhar de maneira torpe para o que stá fora de si. E quanto mias longe, melhor, como se o que está mais longe fosse mais fácil de julgar. Não! O mais longe deve nos causar no máximo um estranhamento. Um estranhamento capaz de me remeter para dentro de si mesmo - inside myself.
Pois é sabido: eu não sou capaz de modificar ninguém...a convivência deve servir de chave para entrar em meu universo, e nele descobrir razões que a própria razão desconhece.
Não...Hercule Poirot descobria maldições no espelho, um gato entre os pombos, um mistério no expresso oriente. eu tento só observar o que esta dentro de mim, a partir do que o outro me causa. E ponto. E fim.